O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil informou que deu um prazo até 31 de julho para que o Governo de São Paulo apresente uma resposta às reivindicações da categoria, se não entrará em greve por tempo indeterminado a partir da meia-noite do próximo dia 4 de agosto.
A decisão foi tomada em assembleia realizada na última sexta-feira (24), em meio à crise provocada pelas falhas registradas nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade no início da operação da concessionária Trivia Trens.
Entre os pedidos estão a reestatização das linhas concedidas à iniciativa privada, a manutenção dos empregos dos trabalhadores da CPTM e o apoio do Executivo estadual à aprovação de um projeto de lei na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), que propõe que o Governo paulista absorva os trabalhadores da CPTM afetados por concessões e privatizações por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta.
Segundo o sindicato, os trabalhadores não atribuem as falhas aos funcionários contratados pela concessionária, mas à forma como foi conduzido o processo de transição da operação.
A categoria também critica a decisão do governo de convocar, por 90 dias, empregados da CPTM para reassumirem parte das operações após os problemas registrados nos primeiros dias da concessão.
Procurado pela CNN Brasil, o Governo de São Paulo informou nesta segunda-feira (27) que ainda não possui posicionamento oficial sobre a ameaça de greve, pois não foi formalmente notificado pelo sindicato.
Falhas após início da concessão
-
1 de 10As linhas de trem 11, 12 e 13 foram impactadas. • Leste Online
-
2 de 10Fogo ocorreu na manhã desta quinta-feira (22). • Salve Ferraz
-
3 de 10Passageiros precisaram caminhar sob os trens para seguir rotas alternativas. • Salve Ferraz
-
-
4 de 10Segundo os bombeiros, o inncêndio, que ocorreu na região do Brás, foi extinto. • Leste Online
-
5 de 10As linhas de trem foram privatizadas e a empresa Trivia Trens está responsável pelas viagens desde segunda (20). • Leste Online
-
6 de 10 -
-
7 de 10Passageiros enfrentam lentidão em outras estações. • Reprodução
-
8 de 10Trivia Trens informou que há transferência gratuita entre as estações de Metrô Tatuapé e Corinthians-Itaquera. • Reprodução
-
9 de 10Segundo a concessionária a falha de um trem provocou o desligamento do sistema elétrico. • Reprodução
-
-
10 de 10Chama atingiu o interior de um dos vagões.
A mobilização ocorre após uma série de problemas registrados poucos dias depois de a Trivia Trens assumir, em definitivo, a operação das linhas, em 20 de julho. Na manhã da última quinta-feira (23), um curto-circuito no pantógrafo de um trem provocou um incêndio em um vagão nas proximidades da estação Brás.
O incidente levou passageiros a deixarem a composição e caminharem pelos trilhos, interrompendo a circulação nas Linhas 12-Safira, 13-Jade e no Serviço Expresso Aeroporto, além de afetar parcialmente a Linha 11-Coral. Os reflexos da ocorrência levaram a Prefeitura de São Paulo a suspender o rodízio municipal em todo o Centro Expandido.
CPTM reassume operação por 90 dias
Após os problemas, a Artesp (Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo) determinou que a CPTM reassuma a operação das linhas por um período inicial de 90 dias.
A medida tem como objetivo garantir a continuidade do serviço enquanto são apuradas as causas das falhas e o cumprimento das obrigações contratuais da concessionária.
O CCO (Centro de Controle Operacional) voltou a ser operado pela estatal, com acompanhamento da Artesp e da Trivia Trens.
Também em resposta ao episódio, o TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) concedeu prazo de cinco dias para que o Governo do Estado e a concessionária apresentem esclarecimentos sobre os planos de contingência, a manutenção dos equipamentos, as condições da infraestrutura e as denúncias de falhas em dispositivos de emergência durante a ocorrência.
Repercussão
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) classificou o episódio como “inaceitável” e afirmou que a concessionária poderá ter o contrato rescindido caso não cumpra as obrigações previstas na concessão.
Em nota, a Trivia Trens pediu desculpas aos passageiros pelos transtornos e afirmou ainda que prestará todos os esclarecimentos solicitados pelos órgãos de fiscalização.
A Artesp informou que instaurou uma comissão investigativa para apurar as falhas e avaliar a aplicação de eventuais sanções à concessionária. Já a CPTM afirmou que colabora integralmente com o processo de transição e descartou a hipótese de sabotagem por parte de funcionários da estatal.

