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Prevenção e tecnologia são pilares para reduzir acidentes de motos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Prevenção e tecnologia são pilares para reduzir acidentes de motos

Neste mês, o Brasil celebra duas datas importantes: Dia Nacional dos Motociclistas, nesta segunda (27), e a Semana Nacional de Prevenção a Sinistros com Motociclistas, instituída pela Lei 15.006/2024. As datas buscam ampliar a conscientização sobre os riscos enfrentados pelos condutores de motocicletas e estimular ações para reduzir acidentes.

Impulsionada, principalmente, pelo avanço dos serviços de entrega e da mobilidade individual, a frota de motocicletas bate recordes de produção e vendas ano após ano.

Segundo números da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), as fabricantes de motocicletas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 1.063.397 unidades no primeiro semestre, resultado 6,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Em contrapartida, hospitais e o sistema público de saúde registram um aumento expressivo das internações decorrentes de acidentes envolvendo motos.

Levantamento do Grupo IAG Saúde, baseado em dados do DataSUS e da Plataforma DRG Brasil, revela que o Sistema Único de Saúde contabilizou 1.247.801 internações de motociclistas acidentados entre 2015 e 2025, além de 22.984 mortes hospitalares no período.

Frota de motocicletas no Brasil é alta
Frota de motocicletas no Brasil é alta • Tânia Rego/Agência Brasil

O número de internações passou de 89.315 em 2015 para 153.301 em 2025, crescimento de aproximadamente 72% em uma década.

O perfil das vítimas reforça o impacto social do problema. Segundo a Plataforma DRG Brasil, 81,7% dos pacientes internados são homens, com idade média de 33,9 anos; justamente a faixa etária economicamente ativa e que concentra grande parte dos profissionais que utilizam a motocicleta como ferramenta de trabalho.

O impacto financeiro também é expressivo. Entre 2015 e 2025, o SUS desembolsou R$ 2,42 bilhões com essas internações. Considerando o custo assistencial estimado pela Plataforma DRG Brasil, os gastos podem ter alcançado cerca de R$ 8,3 bilhões entre 2021 e 2025.

Segurança depende de quatro pilares

Para o gerente de Relações Institucionais da Yamaha, Rafael Lourenço, reduzir os sinistros exige uma atuação conjunta baseada em quatro pilares fundamentais.

O primeiro deles é a formação dos condutores. Segundo ele, uma preparação mais robusta durante o processo de habilitação é essencial para formar motociclistas mais conscientes e preparados para enfrentar situações reais do trânsito.

“O conhecimento técnico precisa ser acompanhado da prática e de uma formação voltada para a tomada de decisão no trânsito”, destaca.

O segundo pilar é a infraestrutura viária. De acordo com o executivo, não basta formar bons condutores se as vias apresentam pavimentação inadequada, sinalização deficiente e outros fatores que aumentam os riscos de acidentes.

Já o terceiro é a fiscalização. Rafael afirma que países que combinam políticas públicas consistentes com fiscalização eficiente apresentam resultados significativamente melhores na redução da violência no trânsito.

“O poder público tem papel decisivo por meio da formação, da infraestrutura e da fiscalização. Esses três pilares caminham juntos.”

Tecnologia também salva vidas

O quarto pilar está diretamente relacionado aos fabricantes: a evolução da segurança dos próprios veículos.

As motocicletas atuais incorporam tecnologias que há poucos anos eram restritas a modelos premium. Entre elas estão o freio ABS, controle de tração, diferentes modos de pilotagem e sistemas de iluminação mais eficientes em LED.

Yamaha Ténéré 700 • Yamaha

Segundo Rafael Lourenço, o freio ABS representa uma das maiores evoluções da segurança sobre duas rodas.

“Existe um mito de que o motociclista não deve utilizar o freio dianteiro. Isso não é verdade. A frenagem correta utiliza os dois freios. Hoje existem sistemas de frenagem combinada, que distribuem automaticamente a força entre as rodas, aumentando a estabilidade e reduzindo o risco de quedas”, destaca o especialista.

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