Autoridades da Índia afastaram um policial que disparou para o alto com um fuzil para dispersar estudantes que se manifestavam em um estado do leste do país no fim de semana.
Este é o episódio mais recente de uma onda de protestos de jovens do denominado movimento “das baratas”, que levou o ministro da Educação indiano, Dharmendra Pradhan, a renunciar ao cargo.
A polícia foi acusada de usar força excessiva nos protestos, incluindo agressões com cassetetes e o disparo de gás lacrimogêneo para conter dezenas de milhares de pessoas que marchavam em direção ao Parlamento, na capital Nova Délhi, na última segunda-feira (20).
Em vídeos publicados nas redes sociais por estudantes e outras pessoas — e cuja autenticidade foi confirmada pela polícia —, é possível ver um policial equipado com trajes de anti-impacto correndo em direção a um grupo de manifestantes na cidade de Siwan, no estado de Bihar, no sábado (25), apontando um fuzil AK-47 para eles e disparando pelo menos três vezes para o alto.
Nilesh Kumar, um oficial de alta patente da polícia de Bihar, afirmou que ninguém ficou ferido e que o rifle havia sido entregue a um agente integrante de uma unidade de inteligência “que lida com criminosos perigosos e de alta periculosidade”.
Os protestos foram desencadeados pelo vazamento, em maio, das provas de um exame nacional de admissão para faculdades de Medicina, realizado por mais de 2 milhões de estudantes, o que obrigou a realização de uma nova prova.
Segundo analistas, há outras questões em jogo, principalmente o desemprego entre os jovens e o receio de que a inteligência artificial possa tomar seus empregos em setores como os de serviços de back-office, atendimento remoto ou TI, pelos quais a Índia é conhecida.
O que é o movimento “das baratas” da Índia
Em seu site, o grupo se autodenomina CJP (Cockroach Janta Party), como uma sátira ao principal partido da Índia, BJP (Bharatiya Janata Party).
Ele também afirma que sua missão é “construir um partido para aqueles que são constantemente chamados de preguiçosos, desempregados, cronicamente online e, mais recentemente, baratas”.
Esta última parte é uma referência a comentários feitos pelo presidente da Suprema Corte da Índia, Surya Kant, em maio, afirmando que jovens desempregados “são como baratas. Não conseguem emprego. Não têm lugar na profissão”.
Apesar de o presidente da Suprema Corte ter se retratado, afirmando que a fala se referia à utilização de diplomas falsos, o apelido já tinha ganhado tração.
Uma das principais causas defendidas pelo grupo foi justamente a renúncia de Pradhan, o que levou à popularização do CJP, que, além do apoio nas ruas, chegou a mais de 24 milhões de seguidores em suas redes.
O que é o movimento “das baratas” da Índia, que levou milhares às ruas

