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Movimento “das baratas” faz ministro da educação da Índia deixar cargo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Movimento “das baratas” faz ministro da educação da Índia deixar cargo

O ministro da Educação da Índia anunciou, neste sábado (25), sua renúncia — uma grande vitória para jovens manifestantes, cujos protestos crescentes têm representado um desafio cada vez maior para o governo do primeiro-ministro Narendra Modi.

Os manifestantes exigem responsabilização pelo vazamento e venda de provas de admissão para prestigiadas faculdades de medicina; o movimento é liderado por uma campanha de jovens conhecida como CJP (Cockroach Janta Party), ou movimento “das baratas”.

Dharmendra Pradhan anunciou sua renúncia neste sábado, cedendo à pressão crescente depois que dezenas de milhares de estudantes e apoiadores foram às ruas exigir sua saída e reformas abrangentes no sistema de exames da Índia. Modi ainda não aceitou publicamente a decisão do ministro.

Abhijeet Dipke, fundador do CJP, celebrou a saída de Pradhan em um comunicado após o anúncio, acrescentando, porém, que ainda há muito a ser feito. “Isso é democracia. Ele renunciou. Temos mais duas exigências. Não vamos parar por aqui”, disse ele.

“As famílias dos jovens que cometeram suicídio devem receber uma indenização de 10 milhões de rúpias (aproximadamente 530 mil reais)”, afirmou Dipke, referindo-se a relatos na mídia indiana de que vários estudantes que prestaram exames de medicina tiraram a própria vida após saberem que os resultados seriam anulados. Ele também pediu medidas contra policiais envolvidos na repressão aos protestos no início desta semana.

Manifestantes entraram em confronto com a polícia nesta semana; as táticas policiais alimentaram ainda mais a revolta dos jovens e atraíram maior apoio para o movimento de protesto.

A renúncia de Pradhan representa uma derrota rara para o governo. Modi, que está em seu terceiro mandato, geralmente não cede a movimentos de protesto. Críticos acusam seu governo há tempos de reprimir a dissidência e a oposição na maior democracia do mundo.

Há semanas, manifestantes estão acampados no centro de Nova Délhi, exigindo responsabilização por denúncias de que provas de admissão para as prestigiadas e extremamente concorridas faculdades de medicina da Índia foram vazadas e vendidas, obrigando milhões de estudantes a refazer os exames.

O movimento é liderado pelo CJP, uma campanha de jovens que começou como uma brincadeira na internet, mas evoluiu para uma força política que canaliza as frustrações de milhões de jovens indianos.

Um grito de mobilização para uma geração

Logo do partido CJP (Cockroach Janta Party), conhecido como movimento “das baratas” • Divulgação/CJP

Fundado por Abhijeet Dipke, formado pela Universidade de Boston, o CJP surgiu em maio, depois que comentários do presidente da Suprema Corte da Índia foram amplamente interpretados como uma comparação entre jovens desempregados e “baratas”. As declarações tocaram em uma ferida aberta em um país que enfrenta um desemprego juvenil persistentemente alto e rapidamente se tornaram um grito de mobilização para uma geração que afirma se sentir ignorada por quem detém o poder.

O que começou como um meme logo se transformou em um movimento de protesto nacional, unindo estudantes e jovens em busca de emprego em torno de demandas por responsabilidade, oportunidades e reformas estruturais.

Os manifestantes exigem uma reformulação de um sistema de exames há muito marcado por controvérsias — um sistema que, segundo eles, exerce enorme pressão sobre os estudantes e impõe pesados ​​encargos financeiros às famílias que investem muito no futuro de seus filhos.

Eles também têm chamado a atenção para o alarmante desemprego juvenil na Índia.

A Índia possui uma das populações mais jovens do mundo, com mais de 360 ​​milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, segundo um relatório recente da Universidade Azim Premji, em Bengaluru.

No entanto, quase 40% dos recém-formados com 25 anos ou menos estão desempregados, e cerca de 20% das pessoas entre 20 e 29 anos não têm trabalho, apontou o relatório, que identificou a transição da educação para o mercado de trabalho como um “grande desafio”.

As tensões aumentaram depois que manifestantes que marchavam em direção ao Parlamento enfrentaram uma repressão policial no início da semana, com agentes utilizando cassetetes e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Muitos dos manifestantes vêm de famílias de classe média que já votaram no BJP, o partido governista de Modi, mas que agora se sentem cada vez mais indignadas com a percepção de falta de oportunidades na Índia moderna.

Embora Modi tenha conquistado um terceiro mandato em 2024, a maioria de seu partido foi reduzida e seu governo precisou contar com aliados no Parlamento Indiano pela primeira vez. A Índia tem uma enorme população jovem, com eleitores dessa faixa etária sendo cruciais para as futuras eleições.

Após semanas sem mencionar ou reconhecer os protestos, Modi deu sua primeira resposta pública às manifestações na quinta-feira (23).

“Inúmeras medidas eficazes foram tomadas nos últimos dois meses e meio, desde o incidente do vazamento da prova”, disse ele. “Os responsáveis ​​foram presos e agora estão na cadeia. Nossa principal responsabilidade tem sido garantir que o ano letivo dos alunos não seja perdido.”

No início da semana, ele também fez um alerta vago no X: “Aqueles que tentarem prejudicar o futuro de nossa juventude não serão poupados”.

O que é o movimento “das baratas” da Índia, que levou milhares às ruas

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