Depois de apresentar ao público um mergulho em sua própria espiritualidade com Equilibrivm, Anitta amplia esse universo em Equilibrivm II, projeto lançado nesta semana, acompanhado de um curta-metragem.
Mais do que um álbum, a obra pode ser vista com uma variedade de referências culturais, religiosas e musicais que dialogam entre si para construir uma narrativa sobre identidade, autoconhecimento e fé.
O álbum apresenta participações de Maria Bethânia, Alceu Valença, Mart’nália, MC Tha, Alexandre Carlo, Mestrinho, King Saints, Los Brasileros, Katú Mirim, Letícia Fialho, Brô MC’s, Kbrum e Grupo Ofá.
Carmen Miranda
Um dos momentos que mais chamou atenção do público é a homenagem a Carmen Miranda. No audiovisual, Anitta revisita a estética da artista portuguesa, naturalizada brasileira, conhecida por transformar frutas tropicais, turbantes e figurinos exuberantes em símbolos da identidade brasileira no exterior.
A artista incluiu no projeto a música “Pra Você Gostar de Mim”, em que possui trechos de “Taí”, lançada em 1930. Ela aparece dançando como se fosse Carmen, mas observa a vida acontecendo em volta dela enquanto o trabalho fica em primeiro lugar.
A espiritualidade feminina
Assim como no primeiro volume, a espiritualidade continua sendo um dos pilares da narrativa. Em diversos momentos do curta, a entidade Pombagira surge conduzindo conversas profundas com Anitta, oferecendo reflexões sobre medo, amor, propósito e transformação.
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Povos originários
Outra camada importante do álbum é o diálogo com os povos indígenas. A faixa “OKE” reúne participações da rapper indígena Katú Mirim e do grupo Brô MC’s, ampliando a discussão sobre ancestralidade para além da herança africana e incorporando a presença dos povos originários na formação da identidade brasileira.
Em entrevista à CNN Brasil, Katú Mirim afirmou que o convite representa um marco para a música indígena contemporânea, destacando a importância de ser reconhecida por seu trabalho artístico dentro do mercado musical.
@fcanittaclip
Encontros de gerações
Outra homenagem importante acontece na faixa “Azul”, que traz uma releitura de uma composição de Djavan. Antes mesmo do lançamento do álbum, Anitta contou que gravar a música foi uma das experiências mais especiais do projeto e destacou a honra de reinterpretar uma obra de um dos maiores compositores da música brasileira.
@lapatronanitta Azul – Anitta, 2026
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Fé, festa e brasilidade
Ao longo do audiovisual, elementos considerados sagrados convivem com dança, festa, sensualidade e música popular. A obra também incorpora referências às religiões afro-brasileiras, com a presença de entidades e símbolos conhecidos da Umbanda e do Candomblé.
Personagens associados à Pombagira e a Zé Pelintra, além de representações ligadas aos orixás, rezas, oferendas, vestimentas ritualísticas e outros elementos litúrgicos, aparecem ao longo da narrativa, compondo uma estética que dialoga com a ancestralidade afro-brasileira.
É justamente essa combinação que conduz todo o projeto. Em vez de separar o espiritual do cotidiano, a artista propõe uma narrativa em que ambos coexistem, apresentando uma visão de identidade brasileira construída a partir da diversidade de crenças, ritmos, tradições e manifestações culturais. Ao colocar essas referências lado a lado com manifestações populares, Anitta reforça uma característica marcante da cultura brasileira: a convivência entre o sagrado e o profano, entre a religiosidade, a música e a celebração.
Antes do lançamento, a cantora usou as redes sociais para contar que se emocionou ao assistir à versão final do projeto audiovisual.
“Acabei de assistir, finalizado, ao nosso lançamento de hoje, e eu estou muito emocionada. É o trabalho mais lindo que eu já fiz em toda minha vida, é o trabalho mais lindo que já vi. Nunca vi nada tão lindo”, declarou, chorando.
Em seguida, ela completou: “Muito emocionante, muita mensagem, muita importância, muita beleza. Acho que vocês vão se emocionar também. São mais de 30 minutos de… Não consigo nem descrever.”
“Minha espiritualidade me ajuda a me conhecer melhor”, reflete Anitta

