O Irã contestou uma reportagem do jornal americano The New York Times, publicada na quinta-feira (23), segundo a qual Teerã teria rejeitado um acordo de cessar-fogo dos Estados Unidos apresentado pelo Iraque, classificando a matéria como “totalmente diversionista e enganosa”, segundo a agência estatal de notícias IRNA.
O veículo noticiou que o Irã não estava interessado em um acordo temporário que deixasse sem solução a questão do controle do Estreito de Ormuz, citando autoridades iranianas.
A reportagem da IRNA afirmou que a proposta previa um “cessar-fogo temporário de 10 dias“. Detalhes completos da medida não foram divulgados.
“O Irã sempre atribuiu valor intrínseco à diplomacia”, disse uma autoridade iraniana não identificada, segundo a agência.
“O problema da escalada do conflito na região decorre exclusivamente da violação das promessas pelos Estados Unidos e da violação dos compromissos contidos no memorando de entendimento de 18 de junho.”
O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, visitou Teerã na quinta-feira, depois de se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, no início da semana passada na Casa Branca.
Antes da visita, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, insistiu que Teerã não buscava mais mediação com Washington.
Paralelamente, Trump sinalizou na quinta-feira (23) que ainda não estava pronto para negociar um novo cessar-fogo com o Irã, afirmando que “eles precisam de mais do mesmo” após dias consecutivos de ataques aéreos.
Ataques continuam
Como mostrado pela CNN, na noite de quinta-feira (23), o CENTCOM (Comando Central dos EUA) informou que as forças armadas dos EUA estavam lançando mais ataques contra o Irã.
“Esta é a 13ª noite consecutiva de ataques destinados a responsabilizar o Irã e reduzir as ameaças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica ao transporte marítimo comercial”, afirmou o CENTCOM na rede social X, acrescentando que os ataques começaram às 18h45, horário da costa leste dos EUA (19h45, em Brasília).
Horas depois, na madrugada desta sexta-feira (24), a mídia estatal iraniana reportou que pelo menos quatro pessoas morreram após ataques dos EUA realizados contra diversas áreas do Irã.
Em meio à tensão entre os países no conflito, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que “confiscar os ativos de outra nação para pagar futuras reivindicações não relacionadas cria um precedente incendiário“, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que utilizará ativos iranianos apreendidos para indenizar danos causados a navios.
“Aqueles que comemoram ou lucram com esses recursos devem se lembrar: quando governos passam a normalizar o confisco de ativos, o patrimônio de ninguém estará seguro”, escreveu Araghchi em uma publicação no X, nesta sexta-feira.

