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Colheita de milho avança no Brasil e clima nos EUA passa a ditar os preços

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Colheita de milho avança no Brasil e clima nos EUA passa a ditar os preços

A colheita da segunda safra de milho segue em ritmo acelerado nas principais regiões produtoras do Brasil e confirma a perspectiva de uma produção robusta em 2025/26. Com a oferta brasileira praticamente consolidada, porém, o mercado começa a deslocar o foco para o clima nos Estados Unidos, onde a fase de polinização das lavouras deve ditar o comportamento dos preços internacionais do cereal nas próximas semanas.

No Paraná, os trabalhos de campo alcançaram 29% dos 2,91 milhões de hectares cultivados. Segundo o Deral (Departamento de Economia Rural), 81% das lavouras ainda no campo apresentam boas condições, enquanto 13% estão em situação regular e apenas 6% são classificadas como ruins. A expectativa é de uma colheita de 17,6 milhões de toneladas, com produtividade ligeiramente superior a 6 toneladas por hectare.

De acordo com o analista do Deral, Edmar Gervásio, o ritmo da colheita deve desacelerar temporariamente devido às chuvas previstas para esta semana, mas a tendência é de retomada das operações nos próximos dias.

“A previsão de tempo indica chuvas nesta semana nas principais regiões produtoras, com retorno do sol a partir do final de semana, quando também os trabalhos de colheita deverão ser intensificados”, afirmou.

Gervásio também destaca que a safra apresenta custos ligeiramente inferiores aos registrados no ciclo anterior, fator que contribui para melhorar o resultado econômico dos produtores.

Em Mato Grosso, responsável pela maior produção nacional de milho, a colheita chegou a 78,9% da área cultivada. O percentual está praticamente em linha com o observado no mesmo período do ano passado, embora um pouco abaixo da média dos últimos cinco anos em razão de condições climáticas atípicas.

Segundo o superintendente do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), Cleiton Gauer, o atraso decorre principalmente das chuvas fora de época, do frio e dos dias nublados registrados nas últimas semanas, mas não compromete o potencial produtivo.

“Nada que venha a preocupar. A safra já está caminhando para a reta final e o produtor tem conseguido avançar na colheita”, afirmou.

Gauer afirma que Mato Grosso deverá registrar um novo recorde de produtividade, estimada em 128,64 sacas por hectare. Com uma área de 7,4 milhões de hectares, a produção é projetada em 57 milhões de toneladas, alta de 2,9% em relação ao ciclo anterior.

Aumento de custos

Apesar do desempenho positivo da safra atual, Gauer faz um alerta para o próximo ciclo agrícola. Segundo ele, o aumento dos custos de produção, principalmente de sementes, fertilizantes e defensivos, já influencia o planejamento dos produtores.

“Os custos continuam subindo e isso já começa a pesar sobre a decisão do produtor para a próxima temporada”, disse.

Com relação a negociação, a saca de milho é precificada em R$ 65,55 pelo indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea Esalq/USP. Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro com vencimento em dezembro foi cotado a US$ 4,87 por bushel, nesta quinta (23).

Estimativa global

Com a safra brasileira praticamente consolidada, a atenção do mercado internacional começa a migrar para o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos. Ainda assim, a StoneX avalia que a combinação da safra recorde na América do Sul com o bom desenvolvimento das lavouras norte-americanas mantém o mercado abastecido e sustenta uma perspectiva neutra a baixista para os preços no curto prazo.

A consultoria ressalta, porém, que o clima permanece como o principal fator de risco para o mercado. Um eventual impacto do El Niño sobre a produção chinesa poderia elevar as importações do país asiático e oferecer sustentação às cotações internacionais.

No horizonte mais longo, a StoneX avalia que preços deprimidos e custos elevados tendem a reduzir a área destinada ao milho na América do Sul em 2027, favorecendo culturas como soja, algodão e sorgo em algumas regiões produtoras.

Ao mesmo tempo, o mercado internacional acompanha de perto a evolução da safra dos Estados Unidos. Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que 59% das lavouras já entraram na fase de polinização, etapa considerada decisiva para a definição do potencial produtivo. Outros 13% já iniciaram a formação dos grãos.

As previsões climáticas indicam temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal em parte do Corn Belt (região produtora especialmente de milho) nas próximas semanas, justamente durante o período mais sensível do desenvolvimento da cultura. Embora ainda não exista confirmação de perdas, 67% das lavouras estão classificadas como boas ou excelentes, percentual inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Esse cenário já influencia as negociações na Bolsa de Chicago. Segundo o USDA, investidores passaram a incorporar um prêmio de risco climático às cotações, ainda que uma alta mais consistente dependa da confirmação de perdas de produtividade nas próximas semanas.

Com a colheita brasileira avançando para a reta final e a safra norte-americana entrando em sua fase mais crítica, o comportamento do clima nos Estados Unidos tende a ser o principal fator de direcionamento dos preços globais do milho no segundo semestre.

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