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Serra Verde vira peça central da ofensiva ocidental contra domínio chinês

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Serra Verde vira peça central da ofensiva ocidental contra domínio chinês

A Serra Verde, única produtora comercial de terras raras em escala relevante no Brasil, ganhou papel central nos planos da USA Rare Earth de construir uma cadeia industrial integrada entre Brasil, Estados Unidos e Europa, em uma ofensiva para reduzir a dependência do processamento realizado na China.

A companhia americana anunciou nesta quinta-feira (23) acordos definitivos para adquirir uma participação de aproximadamente 13,6% na Carester, empresa francesa especializada na separação, no processamento e na reciclagem de terras raras. O valor da transação não foi divulgado.

A InfraVia também comprará uma fatia semelhante por meio de um fundo de metais críticos que tem o governo francês como investidor âncora. O aporte das duas empresas deverá ser concluído no terceiro trimestre de 2026.

Pelo acordo comercial, a Carester poderá receber matéria-prima das operações da USA Rare Earth, incluindo a mina Pela Ema, da Serra Verde, em Goiás, e o depósito Round Top, no Texas.

Em contrapartida, a USA Rare Earth e sua subsidiária Less Common Metals terão acesso a parte dos óxidos produzidos pela empresa francesa e às suas tecnologias de separação e reciclagem.

A inclusão da Serra Verde na cadeia, porém, depende da conclusão da compra do grupo brasileiro pela USA Rare Earth.

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) abriu uma apuração para verificar se os acordos de combinação e fornecimento entre as empresas configuram um ato de concentração sujeito à análise do órgão. A USA Rare Earth espera concluir a transação até o fim de agosto, condicionada às aprovações e demais exigências para o fechamento.

A estratégia é conectar a produção mineral brasileira às etapas de maior valor agregado da cadeia de terras raras, como a separação dos elementos, a fabricação de metais e ligas e, posteriormente, a produção de ímãs permanentes.

A China concentra atualmente grande parte dessas etapas e exerce domínio especialmente forte sobre o processamento de terras raras pesadas e a fabricação de ímãs utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.

A Carester está construindo em Lacq, na França, a Caremag, unidade de reciclagem de ímãs e separação de terras raras que deverá iniciar o comissionamento no quarto trimestre de 2026.

Em plena capacidade, a planta deverá produzir anualmente 800 toneladas de óxido de neodímio-praseodímio, 500 toneladas de óxido de disprósio e 100 toneladas de óxido de térbio. Segundo a empresa, a produção de disprósio e térbio corresponderia a cerca de 15% da oferta mundial atual desses dois óxidos magnéticos de terras raras pesadas.

Disprósio e térbio são utilizados para aumentar a resistência dos ímãs permanentes a temperaturas elevadas, característica especialmente importante em aplicações militares, industriais e de mobilidade.

No mesmo polo industrial francês, a LCM Europe, controlada pela USA Rare Earth, pretende construir uma fábrica com capacidade anual de 3.750 toneladas de metais e ligas de terras raras. Os projetos poderão formar uma cadeia que vai da separação dos óxidos à produção de materiais usados na fabricação de ímãs.

A USA Rare Earth também desenvolve uma unidade de ímãs em Stillwater, no estado americano de Oklahoma. Com a Serra Verde, a Carester e a LCM, a companhia pretende controlar diferentes etapas da cadeia, desde a mineração até a fabricação dos produtos finais.