Poucas fábricas tiveram influência tão grande na história recente da indústria automotiva brasileira quanto o complexo da General Motors em Gravataí, no Rio Grande do Sul. Responsável por colocar nas ruas modelos que marcaram diferentes gerações de consumidores, a unidade acaba de atingir um novo capítulo dessa trajetória: a produção de 5 milhões de veículos desde sua inauguração, em 2000.
O carro número 5.000.000 foi um Chevrolet Sonic RS, mais recente lançamento da marca. Mas a nova aposta da GM é a foto atual de uma fábrica histórica que gerou alguns dos carros mais vendidos do país. Gravataí é berço de modelos compactos que fizeram e ainda fazem parte do dia a dia de milhões de brasileiros.
A história de Gravataí começou em 2000, ao lado de um dos projetos mais relevantes da Chevrolet no país. Desenvolvido sob o codinome Blue Macaw, o Chevrolet Celta chegou ao mercado com a proposta de oferecer um automóvel compacto, acessível e de manutenção simples para ampliar o acesso do brasileiro ao carro zero-quilômetro.

Produzido exclusivamente na nova fábrica gaúcha, o hatch rapidamente conquistou espaço entre consumidores e frotistas. Em apenas um ano de mercado, já acumulava cerca de 100 mil unidades vendidas e, ao longo dos anos seguintes, tornou-se um dos principais representantes do segmento de entrada. O sucesso do modelo consolidou Gravataí como referência em produção de alto volume e justificou novos investimentos na expansão da unidade.
O primeiro grande crescimento ocorreu em meados da década de 2000 com a chegada do Prisma, versão sedã derivada do Celta. O investimento ampliou a capacidade produtiva e fortaleceu o conceito de condomínio industrial adotado pela GM, reunindo fornecedores estratégicos dentro do próprio complexo para reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência da fabricação. Essa estrutura permanece como uma das principais características da unidade até hoje.

Onix transformou Gravataí em protagonista
A maior mudança na história da fábrica veio em 2012 com o lançamento do Onix. Criado para suceder gradualmente o Celta e outros compactos da Chevrolet, o modelo rapidamente se tornou um fenômeno de vendas e passou anos consecutivos na liderança do mercado brasileiro. O carro representou o revival necessário para a Chevrolet, que criou um carro bem ao gosto do brasileiro.
A chegada da segunda geração também exigiu uma ampla modernização da fábrica. Novas linhas automatizadas, processos digitais, robôs industriais e tecnologias da chamada Indústria 4.0 passaram a fazer parte da rotina da produção. Somando hatch, sedã e demais derivações produzidas desde sua estreia, a família Onix ultrapassou a marca de 3 milhões de unidades fabricadas, tornando-se o veículo mais produzido da história da General Motors no Brasil.

O mercado, contudo, foi se aprimorando e novos concorrentes tomaram espaço do Onix, em especial o Volkswagen Polo, além do Fiat Argo. Além disso, a indústria tem investido cada vez mais em SUVs e crossovers. E aí que entra atual aposta da GM para Gravataí: Sonic.
Derivado do Onix, o SUV de entrada integra o mais recente pacote de modernização da unidade, que recebeu investimentos destinados à renovação do portfólio e à atualização tecnológica das instalações. Segundo a GM, mais de uma centena de aplicações desenvolvidas localmente utiliza inteligência artificial para otimizar processos industriais, reduzir o consumo de energia e elevar a eficiência da fábrica.
Com capacidade instalada para produzir até 330 mil veículos por ano, o complexo reúne atualmente operações de estamparia, funilaria, pintura, montagem final e fabricação de componentes plásticos, além de fornecedores integrados ao processo produtivo.

