A assembleia de acionistas da Vale que deve definir o novo presidente do seu Conselho de Administração está marcada para esta quarta-feira (22).
Como mostrado pela CNN, a mineradora divulgou na manhã de terça-feira (21) um mapa dos votos para a eleição da sucessão na empresa. O documento mostra que Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, hoje diretor da empresa e apoiado pela Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, larga na frente com votos de acionistas que detém 1,29 bilhões de ações, o que representa 62,5% dos que já deram suas posições na disputa.
Seu adversário na disputa, o conselheiro Marcelo Gasparino, considerado independente, tem aproximadamente 36% do total, o correspondente a 746 milhões de votos.
Os votos remotos recebidos pela bolsa paulista B3, pelo banco escriturador Bradesco e pela própria companhia somam até agora 2,066 bilhões de ações, o equivalente a 48,5% do capital votante, segundo a Vale.
O resultado final, porém, ainda dependerá de novos votos a serem computados, incluindo os de detentores de ADRs, que serão representados na AGE pelo JPMorgan Chase Bank, na condição de banco depositário.
A mudança na presidência do conselho foi deflagrada justamente pela Previ, segundo maior acionista individual da companhia, com uma fatia de 6,8% das ações.
A Previ pediu, em junho, a substituição de Daniel Stieler, que havia sido indicado ao conselho pela própria entidade em 2021 — sob o governo de Jair Bolsonaro. Publicamente, a fundação apresenta o movimento como uma renovação destinada a fortalecer a independência do colegiado.
Stieler renunciou aos cargos de membro e de presidente do conselho de administração da Vale no início deste mês, antes que a assembleia votasse sobre o pedido de sua destituição.
A Previ é ligada ao Banco do Brasil, controlado pela União. Foi acionista controladora da Vale via Valepar até 2020, quando a empresa passou a ter capital disperso e ainda mantém duas cadeiras no conselho da Vale.
Para a vaga em eleição no conselho de administração, que também acontece nesta quarta-feira, Ieda Gomes Yell, que teve sua indicação aprovada pelo próprio colegiado, aparece à frente na disputa, com 1,396 bilhão de votos a favor, ante 302,5 milhões de rejeição e 367,3 milhões de abstenções.
Já José Maurício Pereira Coelho, apoiado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reunia 616,1 milhões de votos favoráveis, 28,6 milhões contrários e 1,421 bilhão de abstenções, segundo informações da Vale. Fontes ligadas ao governo procuraram a CNN para relatar que Silveira não participou do processo de nomeação de Coelho, nome também apoiado pela Previ e pelo Banco do Brasil.
A CNN mostrou como os bastidores dessa eleição chegaram ao Congresso Nacional, que vê interferência do governo nela e fala até mesmo em CPI. Governo e Vale porém rejeitam essa tese e dizem que a disputa mostra justamente que o governo se afastou da companhia.
*Por Daniel Seiti; com informações da Reuters

