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Prefeito de Nova York diz não ter autoridade para prender Netanyahu

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Prefeito de Nova York diz não ter autoridade para prender Netanyahu

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou em um novo vídeo, que não possui autoridade legal para prender o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, caso ele viesse à cidade de Nova York.

“Minha administração analisou todas as vias disponíveis sob a legislação aplicável para determinar se a cidade de Nova York poderia cumprir o mandado de prisão do TPI (Tribunal Penal Internacional) caso Benjamin Netanyahu viesse para cá”, disse Mamdani em um vídeo publicado no X divulgado na terça-feira (21). “Está claro que não temos autoridade legal independente para executar esse mandado. O governo federal, no entanto, a tem, e eu apelo a ele para que se junte ao TPI e cumpra esse mandado.”

A publicação ocorre poucos dias depois de Mamdani ter dito ao The New York Times que estava trabalhando com a equipe jurídica de sua administração sobre como efetuar a prisão de Netanyahu por seus “supostos crimes de guerra”.

O TPI emitiu um mandado de prisão contra Netanyahu e outros líderes israelenses em 2024, acusando-os de crimes de guerra durante e após os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, alegações que o governo israelense negou.

Em seu vídeo, Mamdani reiterou que acredita que o primeiro-ministro é um criminoso de guerra e que ele “não é bem-vindo na cidade de Nova York”.

“Embora não possamos acabar com o genocídio sozinhos, podemos decidir se nosso silêncio se tornará mais uma arma, e podemos examinar todas as ferramentas que temos para defender a humanidade e a dignidade de todas as pessoas”, disse Mamdani.

Seu vídeo foi criticado pelo embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, que disse no X: “Você foi eleito para servir aos nova-iorquinos, não à propaganda do Hamas. Faça o seu trabalho!”

O Simon Wiesenthal Center, uma organização judaica de direitos humanos sediada em Los Angeles, acusou Mamdani de um “profundo mau uso do cargo que lhe foi confiado por todos os nova-iorquinos”.

“Não se trata mais apenas do primeiro-ministro Netanyahu”, disse o centro em um comunicado. “Isso reflete um padrão mais amplo no qual o prefeito Mamdani repetidamente ataca Israel, ao mesmo tempo em que usa o prestígio de seu cargo para legitimar uma retórica que isola ainda mais o Estado judeu e aprofunda ainda mais a divisão aqui.”

Questionado nesta quarta-feira (22) se classificaria os ataques do Hamas em 7 de outubro como genocídio, Mamdani disse que o grupo cometeu “um crime de guerra horrível”.

“Sei que há nova-iorquinos judeus que concordam com a minha análise e outros que discordam dela; minha responsabilidade com eles é garantir que sejam valorizados, celebrados e estejam seguros em sua cidade”, disse ele.

O primeiro-ministro israelense poderá visitar Nova York ainda este ano para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. Seu gabinete já havia acusado Mamdani de “desviar a atenção pública de suas próprias insensatezes e atacar o líder do Estado judeu e a única democracia do Oriente Médio”.

O presidente Donald Trump manifestou-se na segunda-feira (20) sobre o debate na rede Truth Social, afirmando que Netanyahu “não será preso, de forma alguma”.

Mamdani, um crítico ferrenho do governo israelense que condenou repetidamente as operações militares de Israel em Gaza como um “genocídio”, discutiu a possibilidade de prender Netanyahu durante sua campanha eleitoral no ano passado.

Elie Honig, analista jurídico sênior da CNN, criticou na segunda (20) a ideia de que Mamdani teria condições de efetuar a prisão, argumentando que ele não possui autoridade policial ou de aplicação da lei.

“É absolutamente ridículo que o prefeito de Nova York sequer sugira que possa ter autoridade para ordenar a prisão de Benjamin Netanyahu ou de qualquer chefe de Estado estrangeiro em visita”, disse Honig no programa “The Source”, da CNN.

Os EUA não ratificaram o Estatuto de Roma, que obriga os países a prenderem pessoas contra as quais existam mandados do TPI, observou ele, acrescentando que “a condução da diplomacia e das relações exteriores cabe inteiramente ao governo federal”.

Tanto Trump quanto o ex-presidente Joe Biden condenaram o mandado do tribunal contra Netanyahu.

Durante o segundo mandato de Trump, sua administração intensificou a longa batalha contra o TPI; o secretário de Estado, Marco Rubio, prometeu recentemente “desmantelar” a entidade, acusando-a de “travar uma guerra contra o nosso país, não com balas ou mísseis”, mas com “a força do chamado direito internacional”.

Quem é Zohran Mamdani, socialista e 1° prefeito muçulmano de Nova York