O chefe de direitos humanos das Nações Unidas condenou nesta quarta-feira (22) o que descreveu como uma nova deterioração dos direitos civis e políticos na Nicarágua.
Também foi feito um alerta de que as medidas propostas para impedir a participação de oponentes políticos nas eleições aprofundariam uma repressão já severa à dissidência.
No domingo (19), o presidente de longa data da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país centro-americano deixará de realizar eleições, eliminando a possibilidade de uma disputa eleitoral quando seu mandato terminar no próximo ano e consolidando ainda mais o governo que ele compartilha com sua esposa.
“Pessoas de todas as tendências políticas devem ter o direito de votar e concorrer a cargos públicos, em conformidade com as obrigações internacionais do Estado em matéria de direitos humanos”, afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, em comunicado, acrescentando que o poder está se concentrando cada vez mais sob a copresidência.
O governo de Ortega também revogou, no início deste mês, as credenciais de vários advogados, o que, segundo Turk, não teve qualquer base jurídica ou explicação oficial.
O espaço cívico na Nicarágua está agora “quase fechado”, disse Turk, acrescentando que a expressão independente de pensamento ou opinião está sendo sistematicamente reprimida. Ele instou as autoridades a libertarem pelo menos 46 pessoas que permanecem detidas arbitrariamente por motivos políticos.
Quem é Daniel Ortega e como é classificado o governo da Nicarágua?

