A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) avalia que a aplicação do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil deve fazer as exportações de calçados caírem 7,1%, o dobro do previsto antes do anúncio da medida (3,6%).
“A aplicação da tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano”, afirmou o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira.
Ele ressaltou que, na sua concepção, a medida penaliza os brasileiros, importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, devido à interdependência entre os dois países.
O executivo se reuniu nesta terça-feira (21) com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para sugerir medidas com o intuito de mitigar o tarifaço que entra em vigor nesta quarta-feira (22).
Segundo a associação, Ferreira apresentou o possível cenário enfrentado com a retomada das tarifas e destacou que, a cada US$ 5 gerados pelas exportações, US$ 1 é proveniente de embarques para os EUA.
No âmbito doméstico, Haroldo Ferreira salientou sobre a urgência de criação e aperfeiçoamento de instrumentos legais para maior controle e monitoramento de importações.
Diante do avanço expressivo de importações de calçados, em especial da China, Vietnã e Indonésia, o presidente-executivo da Abicalçados afirmou que é necessária a aplicação mais efetiva de medidas de defesa comercial.
Para Ferreira, é preciso que se tenha condições mais equilibradas de concorrência no mercado doméstico, visto que não há nenhuma âncora para sustentar a produção nacional e os empregos gerados pelo setor.
Ao final da reunião, a associação defendeu a manutenção das negociações por meio dos canais diplomáticos e comerciais para superar esse impasse.
A Abicalçados ainda apresentou medidas emergenciais de curto prazo, que contemplavam:
- Estruturação de um Plano Brasil Soberano 3, disponibilizando linhas de crédito emergencial facilitado e de menor custo para a indústria;
- Ampliação do Reintegra.
Segundo Ferreira, o encontro com representantes do Governo Federal foi produtivo.
“A promessa é de medidas para auxílio emergencial aos setores. Porém, ficou claro que as iniciativas serão por segmento econômico, já que cada um tem a sua particularidade”, concluiu.
Novo tarifaço
O novo tarifaço é oriundo de uma investigação do USTR (Representante Comercial dos EUA) que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou a primeira tarifa de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.
No começo de junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana – ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
O USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
A nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros entrará em vigor no dia 22 de julho, às 00h01, horário da Costa Leste dos EUA (01h01, em Brasília).
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