Na véspera da entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal reuniu-se com representantes do setor produtivo para discutir medidas iniciais e alinhar respostas às novas tarifas.
Durante o encontro, o presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso, manifestou-se contra a aplicação da Lei de Reciprocidade e defendeu a continuidade das negociações por meio da diplomacia.
Segundo Velloso, a entidade não apoia a adoção de medidas retaliatórias. “Primeiro, nós não somos a favor. A gente entende que nós temos que continuar pela via diplomática e empresarial, que é o que nós estamos fazendo”, afirmou.
Ele argumentou ainda que a implementação da Lei de Reciprocidade não seria simples, já que exigiria a realização de uma consulta pública no Brasil. Na avaliação do dirigente, a maioria dos setores produtivos se posicionaria contra a medida, incluindo a própria indústria de máquinas e equipamentos.
Como alternativa, Velloso destacou o trabalho de articulação desenvolvido junto ao setor privado norte-americano. De acordo com ele, durante a audiência pública promovida pela USTR, em Washington, diversas entidades de classe e empresas dos Estados Unidos manifestaram apoio ao Brasil, enquanto poucas defenderam a taxação das máquinas e equipamentos brasileiros.
“A gente fez um trabalho de diplomacia empresarial que deu certo”, disse.
Para o presidente da Abimaq, a decisão do governo norte-americano possui caráter predominantemente político, razão pela qual uma resposta baseada em retaliação não seria eficaz.
“Não entendemos que reciprocidade ou retaliação vai resolver um problema político. O que vai resolver um problema político é diplomacia do Estado e diplomacia empresarial junto dos empresários norte-americanos”, afirmou.
Velloso também apresentou argumentos econômicos para reforçar a posição brasileira nas negociações. Segundo ele, o Brasil acumula déficit comercial com os Estados Unidos desde 2009, as empresas norte-americanas lideram os investimentos estrangeiros diretos no país e companhias brasileiras também investem no mercado norte-americano.
“Nós temos uma pilha de motivos para o Brasil não ser tarifado”, declarou.
Na avaliação do dirigente, o fato de a taxação ter sido adotada mesmo diante da oposição de parte do setor privado dos Estados Unidos reforça o componente político da decisão e indica que ainda há espaço para novas rodadas de negociação.
Além da via diplomática, Velloso defendeu a diversificação de mercados como estratégia para reduzir os impactos das tarifas. Ele informou que o setor de máquinas e equipamentos registrou crescimento de 12% nas exportações nos últimos 12 meses, mesmo com a perda de seu principal mercado.
O dirigente acrescentou que a Abimaq mantém diálogo constante com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e que a reunião realizada nesta terça-feira contou com representantes de diversas entidades ligadas ao setor produtivo.
“A gente acha que ainda existe espaço para diplomacia, dado até a questão de que existe uma componente política muito grande lá nos Estados Unidos para a adoção do tarifaço”, concluiu.

