Vencedor do Troféu Redentor de Melhor Filme de Ficção no Festival do Rio 2025, “Pequenas Criaturas” leva o público de volta a 1986, nos primeiros anos da redemocratização brasileira. Mas, ao contrário do que pode parecer, o longa-metragem não busca despertar saudade do passado. A proposta é entender como as experiências vividas moldam quem somos no presente. É o que explica a diretora da obra, Anne Pinheiro Guimarães, em entrevista à CNN Brasil.
Ambientada na década de 1980, a produção acompanha uma família que precisa reconstruir a própria vida após uma mudança para Brasília, transformando acontecimentos aparentemente comuns em uma narrativa sensível sobre crescimento, pertencimento e afeto. Além do principal prêmio do festival, a produção também levou o Troféu Redentor de Melhor Direção de Arte, concedido a Claudia Andrade. O elenco reúne Carolina Dieckmann, Caco Ciocler, Leticia Sabatella, Théo Medon, Lorenzo Mello, Fernando Eiras e Michel Melamed.
“O passado é quem a gente é. Pensar no seu passado é sempre olhar para dentro e tentar entender quem a gente se tornou. Então, não vem tanto de um lugar de nostalgia, de querer voltar para aquele tempo, mas de entender o que aconteceu ali e como as peças foram se encaixando para fazer o hoje”, diz Anne Pinheiro Guimarães.
Essa reflexão conduz a história de Helena (Carolina Dieckmann), que se muda com os filhos André (Théo Medon) e Dudu (Lorenzo Mello) para Brasília após a transferência do marido (Michel Melamed). Quando ele precisa viajar a trabalho, a família enfrenta sozinha os desafios da adaptação à nova cidade. Enquanto Helena passa a questionar suas escolhas e reconstruir sua identidade, André vive as descobertas da adolescência e Dudu transforma o desconhecido em um universo de possibilidades por meio das novas amizades.
“Pequenas Criaturas” foi inspirado nas próprias experiências da cineasta, e ela o dedica à mãe.
“Como filha de diplomata, passei a infância viajando, sempre partindo e chegando. Nasci em Brasília e morei lá entre os 8 e os 15 anos, exatamente as idades do Dudu e do André. Quem já foi sabe que Brasília é uma cidade única, diferente de todas as outras: planejada, futurista e modernista, com seus encantos e seus desafios, especialmente para quem chega. Não é fácil, mas tem seus momentos mágicos e deixa marcas profundas.”
“Para mim, pessoalmente, ele é muito importante, porque é um filme muito pessoal, é meu. Então, vê-lo reconhecido, vê-lo tocar as pessoas, para mim, é muito gratificante”, completa.
Segundo ela, a produção do longa-metragem foi repleta de “encantamento”. “Fazer o filme foi um processo, de verdade, muito encantado para mim. Eu estava muito encantada de poder montar essa história. Todos os dias eu ficava muito atenta, muito sensível, prestando atenção nas coisas. E a oportunidade de ter esse elenco tão maravilhoso comigo todos os dias foi um presente, realmente”, conta.
Assista ao trailer de “Pequenas Criaturas”
Carolina Dieckmmann revela por que encerrou amizades no passado

