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O que é o movimento “das baratas” da Índia, que levou milhares às ruas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
O que é o movimento “das baratas” da Índia, que levou milhares às ruas

Milhares de jovens indianos foram às ruas de Calcutá e Nova Délhi na segunda-feira (20) para exigir a renúncia do ministro da Educação do país, Dharmendra Pradhan.

Os protestos foram em apoio ao movimento “das baratas” do país. Mas o que é este grupo?

Essa organização atraiu apoio de jovens da geração Z que se sentem menosprezados pelas autoridades do país.

Em seu site, o grupo se autodenomina CJP (Cockroach Janta Party), como uma sátira ao principal partido da Índia, BJP (Bharatiya Janata Party).

Ele também afirma que sua missão é “construir um partido para aqueles que são constantemente chamados de preguiçosos, desempregados, cronicamente online e, mais recentemente, baratas”.

Esta última parte é uma referência a comentários feitos pelo presidente da Suprema Corte da Índia, Surya Kant, em maio, afirmando que jovens desempregados “são como baratas. Não conseguem emprego. Não têm lugar na profissão”.

Apesar de o presidente da Suprema Corte ter se retratado, afirmando que a fala se referia à utilização de diplomas falsos, o apelido já tinha ganhado tração.

O desemprego entre a população mais jovem é um tema de debate constante no país. Dados do governo de 2025 mostram que jovens de 15 a 29 anos apresentavam um índice de desemprego de 9,9%, que chegava a 13,6% nas áreas urbanas e 8,3% nas zonas rurais.

O nome dado por Kant acabou sendo ressignificado pelo CJP, que une mais de 24 milhões de seguidores em seu Instagram e que, apesar de ter começado como sátira, agora movimenta milhares em manifestações reais como as de segunda.

Impacto real do movimento “das baratas”

O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, e seus apoiadores iniciaram um protesto permanente no mês passado, exigindo a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.

O pedido vem após vazamentos, em maio, das provas do exame nacional de admissão às faculdades de Medicina, afetando mais de 2 milhões de estudantes, que tiveram de refazer o exame. Segundo a mídia indiana, cerca de 12 estudantes cometeram suicídio em meio a essa situação.

O vazamento das provas ocorreu sob a gestão de Pradhan, gerando insatisfação em relação à sua permanência no cargo.

Estudantes protestam em Calcutá em apoio ao movimento “das baratas” • Reprodução/REUTERS

O apoio à movimentação feita pelos jovens foi impulsionado pela resposta violenta policial às manifestações de segunda em Nova Délhi, que, segundo dados das autoridades locais, resultaram em cerca de 180 feridos, incluindo 118 agentes de segurança e policiais, além de 60 manifestantes.

De acordo com informações divulgadas à Reuters, cerca de 10 mil manifestantes estavam presentes na manhã de segunda.

O grupo também recebeu ajuda do ativista Sonam Wangchuk, que entrou em uma greve de fome de mais de 20 dias para apoiar a causa. Ele foi levado à força a um hospital público no sábado (18), porém conseguiu a autorização de transferência para uma unidade de saúde privada nesta terça (21).

As atuais reivindicações do CJP incluem a libertação de Wangchuk, a renúncia de Pradhan e uma indenização de 10 milhões de rúpias (aproximadamente 530 mil reais) para cada um dos estudantes que cometeram suicídio após o vazamento.

Manifesto “das baratas”

Em seu site, o CJP tem disponível um manifesto com seus principais objetivos caso entre em poder no país. O partido mistura sátira com conteúdo sério.

  1. Se o CJP assumir o poder, nenhum Presidente da Suprema Corte receberá uma cadeira na Rajya Sabha como recompensa após a aposentadoria.
  2. Se qualquer voto legítimo for anulado, seja em um estado governado pelo CJP ou pela oposição, a Comissão Eleitoral deverá ser presa sob a lei UAPA (principal lei antiterrorismo da Índia), uma vez que retirar o direito de voto dos cidadãos equivale a terrorismo.
  3. As mulheres terão direito a reserva de 50% das vagas — e não 33% —, sem aumento do número total de parlamentares. Além disso, 50% de todos os cargos no Gabinete serão reservados a mulheres.
  4. Todas as empresas de mídia pertencentes a Ambani e Adani (empresários bilionários indianos) terão suas licenças canceladas para abrir caminho a uma mídia verdadeiramente independente. As contas bancárias dos apresentadores da chamada “Godi media” serão investigadas.
  5. Qualquer integrante da Assembleia Legislativa ou do Parlamento que mudar de partido ficará impedido de disputar eleições — e de exercer qualquer cargo público — por um período de 20 anos.

O site também define os requerimentos para participar do partido: “ser desempregado, preguiçoso, cronicamente online e desabafar profissionalmente”.

De acordo com o seu fundador e as informações divulgadas em sua plataforma, são mais de 1 milhão de integrantes do CJP atualmente, além dos mais de 24 milhões de seguidores no Instagram.

*Com informações da Reuters e sob supervisão de Tiago Tortella, da CNN Brasil

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