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Data centers impulsionam investimentos em energia renovável

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 6 horas)

De acordo com um comunicado recente da AIE (Agência Internacional de Energia), o consumo energético dos data centers ao redor do mundo deve dobrar até 2030. Apenas no período entre 2025 e 2026, a demanda dessas estruturas por eletricidade já cresceu 17%, enquanto o consumo global avançou em ritmo quatro vezes menor. Segundo a agência, embora a expansão da Inteligência Artificial (IA) tenha elevado essa demanda, ela também tem estimulado investimentos em fontes renováveis, especialmente nos segmentos solar e eólico.

Uma das estratégias mais adotadas é a instalação de sistemas fotovoltaicos nos próprios data centers para complementar o abastecimento de energia. Como essa geração normalmente não é suficiente para atender ao consumo dessas operações, as empresas recorrem aos Acordos de Compra de Energia (PPA, na sigla em inglês) firmados com usinas de terceiros. Segundo a AIE, os data centers responderam por 40% dos contratos globais de PPAs de energia renovável fechados em 2025.

Como operam com cargas críticas e não podem sofrer interrupções ou oscilações relevantes no fornecimento de energia, os data centers passaram a exigir níveis cada vez maiores de confiabilidade das fontes renováveis. Esse movimento impulsiona avanços na qualidade de transmissão, nos sistemas de armazenamento em baterias e na previsibilidade de geração, fatores essenciais para sustentar operações de alta disponibilidade.

Tendência das big techs

Entre as empresas que mais investem em energia sustentável para seus data centers é a Meta, que mantém 31 unidades distribuídas pelo mundo. Desde 2020, a companhia afirma operar essas estruturas com 100% de eletricidade proveniente de fontes renováveis, seja por geração própria ou adquiridas com PPAs.

Para alcançar esse resultado, a empresas passou a investir, em parceria com desenvolvedores globais, na construção de usinas dedicadas ao fornecimento de energia por contratos de longo prazo. Entre os principais projetos estão empreendimentos em Singapura, Irlanda e Novo México (EUA), que juntos somam 530 MW de capacidade instalada em energia solar.

Outro exemplo é a Amazon Web Services (AWS), que informa operar com 100% de energia renovável desde 2023, principalmente por meio de PPAs. De acordo com seu relatório mais recente de sustentabilidade, em 2025 a companhia alcançou o número 337 projetos de geração fotovoltaica nos telhados de seus data centers, somando a capacidade total de 42MW, além de outras 264 usinas parceiras em seu portfólio.

O caminho até 2030

Em uma pesquisa encomendada pela Fluke Brasil à consultoria Frost & Sullivan mostrou que 20% das paradas em data centers geram prejuízos superiores a US$ 1 milhão. Esse cenário ajuda a explicar o aumento em investimentos em fontes de energia renováveis, especialmente a fotovoltaica, como forma de ampliar a segurança do fornecimento elétrico.

O estudo também aponta que os investimentos anuais em soluções de teste e medição para data centers devem crescer de US$ 8.6 milhões para 15.7 milhões de dólares até 2030. No mesmo período, os recursos destinados à manutenção das usinas solares devem avançar de US$ 18.6 para US$ 39.1 milhões. A tendência reflete a necessidade de elevar a confiabilidade operacional tanto das instalações de geração quanto da infraestrutura que abastece os data centers.

Caminhos para a inovação

A crescente demanda dos data centers também tem acelerado o desenvolvimento de novas tecnologias para geração e armazenamento de energia sustentável. Recentemente, uma usina em Pernambuco passou a operar com uma tecnologia de despacho solar de longa duração capaz de fornecer eletricidade continua por até 17 horas, um marco no mercado nacional de energia solar.

No cenário internacional, o Brasil reafirma sua posição como potência de geração de energia solar. De acordo com um levantamento da Onred, consultoria latino-americana focada em transição energética, o Brasil concentra 83,5% do potencial fotovoltaico instalado na América Latina e Caribe, chamando atenção para o terreno fértil para o desenvolvimento da tecnologia.

Apesar desse avanço, o setor ainda enfrenta desafios importantes, uma vez que grande parte da capacidade instalada está concentrada na geração distribuída, voltada ao residencial e comercial, enquanto 75% das células fotovoltaicas utilizadas no país são importadas da China e Sudeste Asiático. A expectativa é que o crescimento dos data centers estimule novos investimentos em infraestrutura, armazenamento e produção de energia renovável em escala.

Apesar de representarem um dilema ambiental importante, especialmente considerando o consumo de outros recursos naturais, como a água, os data centers estão testando o mercado de energia sustentável com metas inéditas. Por sua vez, o desenvolvimento das tecnologias para atender às demandas da IA também está mudando as big techs, com ambos os lados se pressionando para atingir modelos mais eficientes e com menor impacto.

* Ricardo Mendes é General Manager da Fluke do Brasil

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