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Protesto do movimento ‘das baratas’ na Índia cria confronto com a polícia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 18 horas)
Protesto do movimento ‘das baratas’ na Índia cria confronto com a polícia

Apoiadores do movimento juvenil “das baratas”, na Índia, foram agredidos com cassetetes pela polícia, nesta segunda-feira (20), ao tentarem marchar em direção ao Parlamento, na capital Nova Délhi, apesar de as autoridades terem negado autorização para o protesto.

Dois integrantes do movimento CJP (Cockroach Janta Party) estão a caminho de uma reunião com um ministro sênior do gabinete do primeiro-ministro Narendra Modi, informou nesta segunda-feira o principal porta-voz do partido, Saurav Das, em uma publicação na rede social X.

“O governo entrou em contato para conversar pela manhã. Nossas reivindicações são claras. A juventude se reuniu em grande número”, afirmou Das.

O movimento, criado há poucos meses, e a manifestação planejada são vistos como o maior desafio popular a Modi em seu terceiro mandato, após mobilizar milhões de apoiadores nas redes sociais e ampliar seu alcance.

A decisão da polícia de remover à força para um hospital, no sábado, o ativista Sonam Wangchuk, que fazia greve de fome, impulsionou ainda mais o movimento. Milhares de apoiadores chegaram durante a noite ao local do protesto, em Jantar Mantar, no centro de Nova Délhi, para participar da marcha no primeiro dia da sessão de monções do Parlamento.

A polícia de Délhi realizou reuniões com integrantes do CJP, mas ainda não havia sido alcançado um consenso, disse à Reuters o vice-comissário de polícia de Délhi, Sachin Sharma.

“O local do protesto já atingiu sua capacidade máxima, e isso pode levar a uma situação indesejada”, afirmou, acrescentando que havia cerca de 10 mil manifestantes na manhã de segunda-feira.

Dezenas de policiais e agentes das forças paramilitares também foram mobilizados para o local, aumentando o risco de um confronto nas proximidades do Parlamento caso a marcha fosse realizada.

Imagens exibidas pela televisão mostraram policiais golpeando alguns manifestantes com cassetetes em uma área cercada por fortes barreiras de segurança.

A polícia de Délhi negou ter usado força e afirmou que “o protesto está sendo conduzido de forma profissional”.

Os manifestantes entoavam palavras de ordem enquanto chegavam pacificamente ao centro de Nova Délhi, sob chuva.

“Renuncie, renuncie”, gritavam. “Dharmendra Pradhan, renuncie”, “Narendra Modi, renuncie”, diziam em hindi, referindo-se ao ministro da Educação e ao primeiro-ministro.

“A administração está tentando abrir negociações com o governo… Eles chegaram muito tarde, mas nós abrimos nossos corações e dissemos que estamos dispostos a conversar”, afirmou o principal porta-voz do CJP, Saurav Das, à agência de notícias ANI.

O movimento CJP surgiu após o vazamento, em maio, das provas do exame nacional de admissão às faculdades de medicina, afetando mais de 2 milhões de estudantes, que tiveram de refazer o teste.

“Todos esses líderes que estão no poder são analfabetos, e estou aqui para protestar porque não queremos mais vazamentos de provas”, disse Adi Nathan, de 21 anos, estudante da cidade de Meerut, cerca de 100 quilômetros da capital. “Isso precisa acabar.”

Mohammed Tabrez, de 22 anos, que se prepara para exames competitivos que dão acesso a cursos profissionais ou empregos, disse ter viajado de Amroha, no estado de Uttar Pradesh, cerca de 165 quilômetros de distância.

“Queremos que essa corrupção acabe”, afirmou. “Queremos o fim de todas as fraudes envolvendo vazamentos de provas e concursos, e é por isso que vim até aqui.”

Ativista estabelece condições para encerrar greve de fome

O CJP inicialmente ganhou apoio principalmente pela internet, acumulando 22 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias, e desde então passou a receber apoio de alguns partidos de oposição.

O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, e seus apoiadores iniciaram um protesto permanente no mês passado exigindo a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. Wangchuk juntou-se ao grupo em 28 de junho e iniciou uma greve de fome por tempo indeterminado.

Em uma nota manuscrita publicada nesta segunda-feira em sua conta no X diretamente do hospital, Wangchuk afirmou que encerrará a greve de fome caso o governo assuma responsabilidade pelas recentes falhas no sistema educacional e pelos vazamentos de provas, ou caso os manifestantes do CJP sejam autorizados a chegar ao Parlamento e recebam dos parlamentares o compromisso de tratar dessas questões.

Ele acrescentou que também encerrará o jejum caso parlamentares e líderes de diferentes partidos o visitem no hospital e lhe deem as mesmas garantias, já que seu estado de saúde não lhe permite participar da marcha até o Parlamento.

Segundo analistas, o crescimento do CJP reflete a frustração dos jovens indianos com problemas como o elevado desemprego entre a juventude e os frequentes vazamentos de provas.

Dados do governo mostram que a taxa de desemprego em 2025 era de 3,1% entre pessoas com 15 anos ou mais. Entre os jovens de 15 a 29 anos, porém, o índice chegava a 9,9%, alcançando 13,6% nas áreas urbanas e 8,3% nas zonas rurais.