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Pesquisadores brasileiros quebram paradigma de 400 anos sobre sincronização

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 10 horas)
Pesquisadores brasileiros quebram paradigma de 400 anos sobre sincronização

Pesquisadores brasileiros descobriram um novo tipo de sincronização em sistemas complexos — conjuntos de elementos que interagem entre si e com o ambiente — e podem ter quebrado um paradigma científico, aceito há mais de 400 anos.

Publicado na revista Nature Communications com apoio do Instituto Serrapilheira, o estudo liderado por cientistas do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP) mostra que sistemas podem apresentar comportamento sincronizado mesmo quando a interação entre seus componentes não segue a lógica tradicional baseada em relações entre pares.

Entre os autores estão o matemático brasileiro Tiago Pereira e o holandês Eddie Nijholt, pesquisadores do ICMC-USP.

A sincronização é um fenômeno em que diferentes elementos passam a atuar de maneira coordenada. Aparece em diversos sistemas naturais e tecnológicos, como a atividade de neurônios no cérebro, redes elétricas e outros sistemas complexos. Desde o século 17, quando o físico holandês Christiaan Huygens observou dois relógios de pêndulo sincronizados, a explicação dominante era de que esse comportamento surgia a partir da interação direta entre os elementos envolvidos.

O novo estudo mostra que essa regra não é suficiente para explicar todos os casos. Os pesquisadores demonstraram que, em determinados sistemas, a sincronização pode surgir apenas quando três ou mais componentes interagem simultaneamente, revelando um mecanismo coletivo que não aparece quando esses elementos são analisados individualmente.

A sincronização é um dos fenômenos mais importantes da natureza. Aparece em sistemas muito diferentes entre si e sempre foi entendida a partir da ideia de interação entre pares de elementos. O que mostramos é que existem situações em que pode emergir por outro mecanismo

Tiago Pereira

A descoberta amplia a compreensão sobre sistemas complexos e pode ajudar pesquisadores de diferentes áreas a desenvolver modelos para estudar fenômenos coletivos, como processos relacionados ao cérebro, ao clima e a redes tecnológicas.

O que é o Serrapilheira?

Lançado em 2017, o Instituto Serrapilheira é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que promove a ciência no Brasil. Foi criado para valorizar o conhecimento científico e aumentar sua visibilidade. Desde o início de suas atividades, já apoiou financeiramente mais de 400 projetos de ciência e de jornalismo e mídia com mais de R$ 120 milhões.