Andy Burnham assume seu novo cargo nesta segunda-feira (20), tornando-se o sétimo primeiro-ministro do Reino Unido em uma década de caos governamental desde que os cidadãos votaram pela saída da União Europeia.
Burnham, que ganhou o apelido de “rei do Norte” devido à sua determinação em defender os interesses da região enquanto prefeito da Grande Manchester, declarou em uma coletiva na sexta-feira (17) que estava pronto para assumir o poder e que trabalharia para oferecer esperança às pessoas em “lugares esquecidos por toda parte”.
Nesses dez anos, os líderes britânicos tiveram dificuldades para definir uma direção clara e não conseguiram impulsionar uma economia de baixo crescimento, travada por dívidas elevadas e gastos crescentes com o Estado de bem-estar social, em um momento de ameaças crescentes ao redor do mundo.
Relembre os principais acontecimentos políticos do país na última década.
Junho de 2016: Reino Unido vota pelo Brexit; primeiro-ministro Cameron renuncia
Os britânicos provocam um choque global ao votar — por 52% a 48% — pela saída da União Europeia após mais de 40 anos, mergulhando o país em sua maior crise política desde a Segunda Guerra Mundial. O primeiro-ministro conservador, David Cameron, renuncia e o partido escolhe Theresa May para sucedê-lo.
Junho de 2017: Aposta em eleição antecipada sai pela culatra
Em alta nas pesquisas de opinião e buscando uma maioria parlamentar maior para aprovar a legislação do “Brexit”, May convoca eleições antecipadas. Os conservadores perdem a maioria e só conseguem governar ao firmar um acordo com o Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte, favorável à permanência no Reino Unido.
Maio de 2019: Paralisia do Brexit, renúncia de May e ascensão de Johnson
Theresa May renuncia após não conseguir superar o impasse parlamentar sobre os termos da saída do Reino Unido da UE. Boris Johnson, uma das principais figuras da campanha a favor do Brexit, vence a disputa interna do Partido Conservador para sucedê-la.
Dezembro de 2019: Jhonson conduz conservadores a uma vitória esmagadora
Com o Parlamento paralisado em relação ao Brexit, Johnson convoca eleições antecipadas. Fazendo campanha com o slogan “Get Brexit Done” (Concretizar o Brexit), ele conduz os Conservadores à sua maior vitória eleitoral desde o triunfo avassalador de Margaret Thatcher em 1987.
Janeiro de 2020: O Brexit se concretiza
O então primeiro-ministro Johnson usa seu mandato para fazer avançar um acordo do Brexit no Parlamento e em Bruxelas, e o Reino Unido deixa a União Europeia em 31 de janeiro de 2020, tornando-se o primeiro Estado a se retirar do bloco.
Julho de 2022: Boris Johnson é afastado
Johnson lidera o Reino Unido durante a pandemia de COVID-19 — chegando a ser internado com a doença —, mas uma longa lista de escândalos e erros acaba se tornando insustentável, e ele deixa o cargo após uma revolta ministerial.

Setembro de 2022: Mandato caótico de Truss
Liz Truss derrota Rishi Sunak na disputa para suceder Johnson. Seu “miniorçamento”, que incluía cortes de impostos sem previsão de financiamento, assusta os mercados financeiros, fazendo disparar os custos de empréstimo e prejudicando ainda mais a reputação do país em termos de estabilidade política e fiscal.
Ela permanece no cargo por apenas 44 dias antes de renunciar.
Outubro de 2022: Sunak assume como primeiro-ministro
Rishi Sunak entra no cargo como o terceiro primeiro-ministro britânico em um período de três meses, prometendo restaurar a estabilidade.
Ele assume cinco compromissos principais voltados para a economia, o combate à imigração ilegal e a melhoria do sistema de saúde. Em fevereiro de 2023, ele firma um acordo com a União Europeia sobre regras comerciais para a Irlanda do Norte, melhorando as relações com o bloco.
Maio de 2024: Sunak convoca eleições
Atrás do Partido Trabalhista por cerca de 20 pontos nas pesquisas e com o fim do mandato parlamentar de cinco anos se aproximando, Sunak convoca eleições para 4 de julho.
Julho de 2024: Keir Starmer assume cargo de primeiro-ministro
“Dissemos que acabaríamos com o caos e vamos acabar”, declara o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, a apoiadores em 5 de julho de 2024, após conquistar uma vitória esmagadora — embora com a menor porcentagem de votos já registrada por um governo de maioria na história moderna.
Agosto de 2024: Starmer alerta que “as coisas vão piorar”
Starmer afirma que seu governo herdou “um buraco negro econômico” nas finanças públicas e diz aos eleitores que “as coisas vão piorar antes de melhorar”.
Outubro de 2024: Primeiro orçamento do partido trabalhista
A ministra das Finanças, Rachel Reeves, anuncia aumentos de impostos no valor de 40 bilhões de libras por ano — principalmente por meio da elevação das contribuições previdenciárias dos empregadores —, colocando a carga tributária em trajetória para atingir seu nível mais alto já registrado em tempos de paz e provocando fortes críticas do setor empresarial.
Fevereiro de 2025: Partido Reform UK, de Nigel Farage, dispara
O Reform UK, partido de direita e contrário à imigração, ultrapassa o Partido Trabalhista em uma pesquisa de opinião nacional pela primeira vez. O Reform UK, liderado por Nigel Farage (figura central da campanha pelo Brexit), tem liderado as pesquisas desde então.
Junho de 2025: Rebelião força Starmar a voltar atrás em medidas de bem-estar social
Starmer é forçado a abandonar os planos de cortar gastos com bem-estar social no Reino Unido depois que parlamentares de seu próprio partido ameaçam derrotar o governo.
Setembro de 2025 a abril de 2026: Escândalo Mandelson
Aumenta a pressão sobre Starmer devido à nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington. Mandelson é demitido em razão de suas ligações com o falecido agressor sexual americano Jeffrey Epstein, e surgem questionamentos sobre o discernimento de Starmer e o processo de verificação de antecedentes.
Maio de 2026: Desastre nas eleições locais
O Partido Trabalhista sofre pesadas derrotas nas eleições locais inglesas e nas votações para os parlamentos da Escócia e do País de Gales, tendo o Reform UK como principal beneficiário, o que intensifica as dúvidas sobre a capacidade de Starmer de governar.
Maio/Junho de 2026: Ministros de alto escalão renunciam
O ministro da Saúde, Wes Streeting, deixa o cargo, afirmando ter perdido a confiança em Starmer. Poucas semanas depois, o ministro da Defesa, John Healey, renuncia, acusando Starmer de não destinar os recursos necessários para manter a Grã-Bretanha segura diante de ameaças crescentes.
Junho de 2026: Andy Burnham mostra que pode vencer partido de direita
O prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, vence uma eleição para um assento parlamentar no norte da Inglaterra, derrotando o Reform UK no processo. O seu regresso ao Parlamento de Westminster permite-lhe lançar um desafio à liderança trabalhista de Starmer.
Três dias depois, Starmer deixa o cargo de líder do Partido Trabalhista, dizendo que, depois de ouvir o partido, percebeu que não é mais o homem que deveria liderá-lo nas próximas eleições nacionais, previstas para 2029.
Julho de 2026: Burnham assume liderança do Partido Trabalhista
Na ausência de qualquer concorrente, Burnham assegura a liderança do partido governista quando uma ampla maioria de parlamentares trabalhistas o indica, colocando-o em posição de chefiar o governo.
Conheça Andy Burnham, futuro primeiro-ministro do Reino Unido

