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Após tarifaço dos EUA, Brasil monta agenda para consultar setores

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 12 horas)
Após tarifaço dos EUA, Brasil monta agenda para consultar setores

O governo federal estruturou uma agenda de consultas diretas aos setores econômicos afetados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A informação foi apurada pela analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Live CNN.

Segundo a analista, o objetivo é medir o impacto sobre empregos, contratos e produção antes de definir eventuais medidas de reciprocidade e o volume de recursos destinados ao socorro das empresas.

A iniciativa é conduzida pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), ministério que assumiu a frente das negociações em conjunto com o Palácio do Planalto.

Cada setor afetado terá a oportunidade de se reunir com representantes do governo para apresentar os impactos específicos e indicar quais medidas considera necessárias para enfrentar as consequências das novas tarifas americanas de 25%.

Cautela como diretriz

A postura do governo brasileiro diante do tarifaço tem sido marcada pela cautela. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, ainda não há decisão tomada sobre a aplicação da Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional e que pode ser utilizada como ferramenta de resposta às tarifas norte-americanas.

Parte do governo avalia que a decisão sobre reciprocidade é de natureza governamental e deve ser tomada com base nesse mesmo princípio de cautela que tem orientado as tratativas desde o primeiro anúncio das tarifas.

Ao mesmo tempo, a preocupação com a responsabilidade fiscal é outro fator determinante. O governo sinalizou que não pretende deixar os setores à mercê das consequências, mas que qualquer medida de socorro precisa caber dentro do orçamento brasileiro. As soluções, portanto, devem ser personalizadas de acordo com a necessidade específica de cada setor.

Nova investigação pode ampliar tarifas

Além das tarifas de 25%, o Brasil enfrenta uma investigação paralela relacionada a suspeitas de trabalho forçado. A conclusão dessa investigação é esperada para a sexta-feira (24), e pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5%.

O Brasil está sendo investigado junto com mais de 50 países, e as informações apuradas indicam que essa nova taxação seria cumulativa, podendo se somar à tarifa já anunciada para determinados setores.

O governo brasileiro demonstra pessimismo em relação ao desfecho dessa investigação, da mesma forma como já havia antecipado a inevitabilidade do tarifaço de 25%. A possibilidade de uma solução personalizada para o Brasil, diferente da aplicada aos demais países investigados, é considerada muito pequena.

Eleições e dimensão política

O cenário também apresenta uma camada política relevante. Fontes do governo brasileiro indicaram que não será possível negociar com os Estados Unidos antes das eleições de outubro, o que significa que qualquer avanço nas conversas e eventual recuo norte-americano sobre as taxações só poderia ser concretizado após o pleito.

O governo enxerga uma interferência clara dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro e avalia que o Brasil estaria sendo utilizado como exemplo do alcance do poder de intervenção norte-americano.

Nesse contexto, fontes ligadas à esquerda passaram a associar o tarifaço ao principal adversário nas eleições, Flávio Bolsonaro (PL), cunhando o termo “tariflávio”. O discurso de soberania, que já havia rendido resultados políticos positivos na avaliação dos governistas no ano passado, deve ser retomado como instrumento político diante do atual cenário.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.