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Trump sob pressão: Irã, inflação e China entram no jogo eleitoral

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 16 horas)
Trump sob pressão: Irã, inflação e China entram no jogo eleitoral

A escalada das tensões entre os EUA e o Irã tem gerado desdobramentos que vão além do campo militar, atingindo diretamente a economia norte-americana e o cenário eleitoral.

Durante o videocast Fora da Ordem, os analistas avaliaram que o impasse em torno do Estreito de Ormuz e o consequente choque energético colocam o presidente americano, Donald Trump, diante de um dilema de difícil solução.

Segundo o analista de internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna, Trump opera com uma lógica empresarial nas negociações internacionais.

“Trump tem um mindset de empresário que acredita que se aquele com quem ele está negociando tem benefícios econômicos, ele vai fechar o negócio e o conflito estará resolvido”, afirmou.

Nesse sentido, ele teria negociado com o governo civil iraniano o levantamento das sanções sobre o petróleo do Irã, o descongelamento de 24 dos 105 bilhões de dólares em ativos bancários congelados e a criação de um fundo de até 300 bilhões de dólares para a reconstrução do país no pós-guerra.

A Guarda Revolucionária e o impasse no Estreito de Ormuz

A negociação, no entanto, encontrou um obstáculo na Guarda Revolucionária Islâmica, que apresentou uma pauta própria.

De acordo com Lourival, a Guarda quer garantir que nenhum país volte a atacar o Irã e considera o controle sobre o Estreito de Ormuz seu principal fator dissuasório, já que não dispõe de armas nucleares.

“Ceder a soberania, permitir que o Irã tenha soberania sobre o Estreito de Hormuz é uma perda estratégica monumental para os Estados Unidos e para o mundo”, destacou.

Para derrotar a Guarda Revolucionária, Trump precisaria desembarcar tropas no país — uma opção com alto custo político, dado o risco de mortes de soldados americanos.

Diante desse impasse, o Lourival avalia que Trump buscou uma saída pela via eleitoral interna, fazendo um pronunciamento à nação no qual apresentou supostas provas de inteligência da CIA e do FBI de que a China teria interferido nas eleições de 2020 em favor de Joe Biden, e de que o sistema eleitoral americano seria vulnerável a ataques cibernéticos de China, Rússia, Irã e Coreia do Norte.

Pronunciamento sobre eleições e restrições ao voto

O pronunciamento de Trump foi marcado por ausências notáveis: várias emissoras dos Estados Unidos optaram por não transmiti-lo, algo descrito como relativamente raro quando um presidente se dirige à nação.

Conforme observado no debate, Trump “falou muito pouco da guerra no Irã, mas acusou a China sem apresentar evidências firmes”, tendo liberado documentos da CIA e do Serviço Secreto Americano sem, contudo, apresentar provas sólidas.

A China reagiu imediatamente, afirmando não ter interesse em interferir nas eleições americanas e pedindo que os Estados Unidos parassem de fazer acusações sem fundamento.

No campo doméstico, Lourival que Trump aproveitou o pronunciamento para defender uma reforma do sistema eleitoral, tornando o acesso ao voto mais restrito.

Na avaliação apresentada, as medidas propostas — como a exigência de comprovação de cidadania com documentos federais e a manutenção do voto em dia útil — afetariam desproporcionalmente os eleitores de menor renda, que são também os mais impactados pelas políticas inflacionárias.

“O Trump quer afunilar o acesso ao voto de maneira que mais republicanos votem e menos independentes e menos eleitores democratas votem”, disse.

China ganha terreno na percepção global

O debate também abordou uma pesquisa do Pew Research Center, realizada em 37 países, incluindo o Brasil, que aponta crescimento da aceitação da China em diversas regiões do mundo, especialmente no Oriente Médio, na América Latina e na Ásia.

Mauricio Moura, professor da Universidade George Washington, identificou três mensagens centrais no levantamento.

“Existe uma percepção global que a China é o adulto”, afirmou, usando uma metáfora para ilustrar a mudança de imagem do país no cenário internacional.

Segundo ele, a China — antes vista como um país que não respeitava as regras do jogo multilateral — passou a ser percebida como um parceiro mais previsível e estável, em contraste com a gestão atual da Casa Branca.

“Esses são os maiores custos que o Donald Trump está impondo aos Estados Unidos: a imprevisibilidade”, avaliou Moura, acrescentando que essa percepção já se reflete nas curvas de juros da dívida americana nos mercados financeiros.

A declaração de Trump acusando a China de interferência eleitoral foi descrita pela diplomacia chinesa local como fonte de grande incômodo, reduzindo, na avaliação dos analistas, a probabilidade de uma visita de Xi Jinping a Washington neste ano eleitoral.

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