A reação do governo brasileiro à imposição de novas tarifas de até 25% sobre produtos nacionais foi considerada desequilibrada por Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, ao WW.
Barreto avaliou que o governo oscilou entre posturas opostas em curto espaço de tempo, sem conseguir disfarçar o que classificou como um fracasso objetivo.
“Na última quinta-feira (16), o governo tentou ser leão e nesta sexta-feira (17), tratou de ser raposa, mas talvez um pouco tarde demais”, afirmou Barreto, sintetizando a mudança de tom adotada pelas autoridades brasileiras diante da situação.
Expectativa de popularidade e fracasso diplomático
Segundo o especialista, não apenas a postura do governo foi desproporcional, como também a de analistas que interpretaram o enfrentamento direto às tarifas como uma possível vitória política.
“A reação do governo foi desequilibrada, como também de muitos analistas que trouxeram isso como uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como se fosse garantir um salto de popularidade”, disse Barreto. Para ele, o que está registrado é, na realidade, um fracasso.
Barreto foi ainda mais enfático ao dimensionar as consequências diplomáticas do episódio. “Talvez, desde a Guerra do Paraguai, seja a principal derrota da diplomacia brasileira, que está sendo acusada por todos os lados de não ter feito o dever de casa”, declarou o especialista.
Críticas internas e responsabilidade do governo
O analista também destacou que o governo passou a ameaçar internamente quem ousou fazer críticas à sua gestão do tema. Ele citou o caso da Fiesp, que teria sido alvo de acusações por parte do ministro da Fazenda, Dario Duringan, o qual teria acusado a entidade de fazer debate eleitoral.
Para Barreto, esse comportamento evidencia a necessidade de uma reflexão interna sobre a atuação do governo.
“O rescaldo vai ter que produzir uma reflexão interna sobre como foi a atuação do governo, porque embora ele possa buscar muitos culpados, o culpado de verdade, o responsável é quem está sentado no banco do piloto”, afirmou.
O especialista concluiu que o próprio governo deve tentar recuar da narrativa adotada, pois “não dá para disfarçar que isso é um fracasso objetivo”.

