O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros deixou o campo técnico do comércio exterior e se tornou um dos principais temas da disputa eleitoral brasileira. A medida, resultado de uma investigação comercial que durou cerca de um ano, passou a ser explorada politicamente tanto pelo governo quanto pela oposição. A análise é do âncora da CNN Iuri Pitta ao Foco Eleitoral.
De um lado, o Palácio do Planalto aposta no discurso de soberania nacional como estratégia eleitoral.
Segundo análises do cenário político, esse posicionamento de enfrentamento ao governo norte-americano já havia sido apontado como um dos principais fatores de recuperação da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2025, período em que o governo registrava mais desaprovação do que aprovação.
“O discurso da soberania foi um dos pontos que mais deu popularidade a Lula desde que o presidente americano, Donald Trump, se tornou presidente dos Estados Unidos”, destacou Iuri.
Oposição tenta se desvincular do ônus político
Do lado da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta se desvincular da responsabilidade pelo tarifaço, atribuindo ao governo federal a incapacidade de conduzir as negociações comerciais de forma técnica e adequada para evitar a sobretaxação dos produtos brasileiros.
A estratégia busca associar a Lula uma imagem de inépcia ou incompetência, em referência à narrativa utilizada nos Estados Unidos contra o antecessor de Donald Trump, Joe Biden, que sequer foi escolhido pelo Partido Democrata para disputar a eleição de 2024, vencida por Trump.
Outros nomes da oposição, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), também se manifestaram no dia seguinte à confirmação do anúncio pela Casa Branca. Todos criticaram tanto a postura de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro, tentando se distanciar dos impactos políticos do tarifaço e da retórica de soberania nacional adotada pelo governo.
A relação entre Brasil e Estados Unidos promete ocupar o centro do debate eleitoral até as eleições de outubro.
Independentemente de quem sair vencedor das urnas, o próximo governante terá pela frente ao menos dois anos de gestão Donald Trump, além das incertezas sobre quem será seu sucessor nas eleições americanas de 2028 — fatores que devem influenciar diretamente os rumos das relações comerciais entre os dois países.
Até lá, o que se tem como certo é que a retórica política em torno do tema seguirá bastante inflamada.

