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Não é hora de uso da Lei da Reciprocidade contra os EUA, diz senador

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Não é hora de uso da Lei da Reciprocidade contra os EUA, diz senador

Diante do novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, Nelsinho Trad (PSD-MS), senador e presidente da Comissão de Relações Exteriores, avaliou que o momento não é propício para o acionamento da Lei de Reciprocidade contra os americanos. Em entrevista ao CNN 360°, ele defendeu que o país deve priorizar o diálogo e as negociações diplomáticas antes de recorrer a medidas de retaliação.

“Não é de bom caminho você subir no ringue para brigar com alguém mais forte do que você”, afirmou Nelsinho Trad. Para ele, é necessário esgotar todas as alternativas diplomáticas, incluindo a busca por exceções tarifárias para setores brasileiros afetados pelas sobretaxas americanas.

Prudência e planejamento como estratégia

Nelsinho Trad explicou que acionou a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior)    justamente para que haja um planejamento estratégico adequado, caso o uso da lei de reciprocidade se torne necessário no futuro.

Segundo ele, a comissão dispõe de uma equipe técnica capacitada para analisar a situação e encaminhar soluções aos setores prejudicados. “A questão é só saber qual é o momento certo para você poder usar”, disse o senador, reforçando que, por ora, a prudência deve prevalecer.

O parlamentar ressaltou que, nas visitas que realizou aos Estados Unidos ao longo do processo de negociação, alertou os senadores americanos sobre as consequências das medidas tarifárias.

“A balança comercial é muito favorável para vocês. Nós não estamos compreendendo por que vocês estão fazendo isso com o Brasil”, afirmou ter dito a seus interlocutores. Nelsinho Trad acrescentou que classificou as justificativas apresentadas pelos americanos — como questões relacionadas ao desmatamento — como narrativas incorretas e que a medida é “descabida e desarrazoada”.

Insegurança jurídica prejudica investimentos

O senador destacou o impacto negativo das tarifas sobre setores brasileiros que investiram pesadamente para atender aos padrões exigidos pelo mercado americano. Para ele, a imposição de sobretaxas sem segurança jurídica desestimula novos investimentos e compromete a relação comercial bilateral.

“Você acha que os setores novos que estão se preparando vão querer fazer negócio com esse governo, com essa política? Não vão, é um risco muito grande”, declarou.

Questionado sobre as reações do governo brasileiro e o contexto eleitoral que permeia o debate, Nelsinho Trad pediu cautela para que a questão comercial não seja contaminada por disputas políticas.

“Nós estamos a menos de três meses das eleições. Há que se ter muita tranquilidade para não se deixar contaminar por isso. Acima dessas coisas está o Brasil, os brasileiros e os setores da economia que estão sendo afetados”, afirmou.

Sobre a atuação do governo federal nas negociações, o senador avaliou positivamente o trabalho realizado pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), descrevendo-o como “muito prudente, muito técnico e muito tranquilo”.

Ele também mencionou a importância do diálogo direto entre os presidentes dos dois países, citando o interesse americano nas terras raras brasileiras como um ponto central das negociações.

“Sentar para conversar dá, e isso a gente tem que procurar fazer”, concluiu, reafirmando que o Congresso e a Comissão de Relações Exteriores estão atentos e prontos para apoiar as tratativas diplomáticas.

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