Os impactos da guerra no Oriente Médio já ultrapassaram o campo militar e seguem pressionando a economia global. Commodities, taxas de juros e mercados financeiros continuam sob influência direta do conflito, especialmente os preços do petróleo e de seus derivados.
Em entrevista ao CNN Money, Fernando Berardo afirmou que a inflação, tanto no Brasil quanto no restante do mundo, ainda sofre os efeitos da alta dos derivados de petróleo.
Segundo ele, o impacto vai além do setor de energia, alcançando outras commodities e o câmbio, o que amplia as pressões sobre a economia. Berardo destacou ainda que o petróleo tem uma característica distinta de outras commodities por ser fortemente influenciado por fatores geopolíticos, e não apenas pela dinâmica de oferta e demanda.
A assinatura do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã trouxe um alívio temporário ao mercado, fazendo o petróleo retornar aos níveis anteriores ao conflito. No entanto, Berardo classificou o acordo como “muito frágil” e afirmou que já existiam dúvidas, dos dois lados, sobre a capacidade de cumprir os compromissos previstos para os 60 dias seguintes à assinatura.
No caso do diesel, o cenário é ainda mais delicado. Segundo o especialista, após o memorando, o barril de petróleo recuou de forma significativa, mas recuperou parte das perdas pouco tempo depois.
O diesel, por outro lado, acumulou alta expressiva, recuou com o acordo e voltou a subir, ultrapassando os níveis registrados antes do conflito. A gasolina seguiu trajetória semelhante, com forte valorização desde o início da guerra e nova alta após a retomada dos confrontos.
Berardo atribui parte dessa pressão adicional sobre o diesel aos ataques ucranianos contra refinarias russas, que afetaram entre 20% e 40% da capacidade de refino da Rússia. Para ele, esse fator agrava a oferta global do combustível e aumenta os impactos sobre os preços no mercado internacional e também no Brasil.
Outro foco de preocupação é o Estreito de Ormuz. Donald Trump chegou a anunciar uma taxa de 20% sobre a passagem pelo estreito, mas voltou atrás. Na avaliação de Berardo, esse tipo de declaração tem mais peso político do que efeito prático.
Ainda assim, a sucessão de anúncios e mudanças aumenta a incerteza, um ambiente que, segundo ele, costuma elevar a volatilidade dos mercados financeiros e das commodities.
Apesar desse cenário, Berardo avalia que parte do mercado ainda aposta em uma solução diplomática para o conflito, o que ajuda a limitar a alta do petróleo bruto. No entanto, ele ressalta que não há garantias sobre a evolução dos preços, especialmente diante da intensificação da guerra entre Rússia e Ucrânia, que continua exercendo forte pressão sobre o mercado internacional de diesel.

