Não tenho certeza se conseguiria pensar em duas seleções mais diferentes para disputar uma final de Copa do Mundo. Estamos prestes a presenciar um verdadeiro espetáculo.
Deixem-me explicar o que quero dizer e por que este confronto será tão interessante. A Espanha é a mestre da posse de bola. Ela executa o “futebol bonito” com perfeição, retendo a bola com extrema confiança e construindo jogadas belíssimas que simplesmente despedaçam as defesas adversárias.
Enquanto isso, a Argentina é uma equipe de operários do futebol, que transborda paixão. Eles quase priorizam a agressividade em detrimento de sua óbvia habilidade técnica, fazendo o “trabalho sujo” melhor do que ninguém, chegando forte nas divididas e tentando intimidar o oponente.
Até aqui, ambos os estilos funcionaram e agora eles estão prestes a colidir naquela que será a final de Copa do Mundo mais previsível de todos os tempos, porque não há a menor dúvida sobre como as duas equipes vão se comportar em campo.
A La Roja vai dominar o jogo, tentando encurralar a Argentina com passes até exauri-la, buscando capitalizar qualquer deslize de concentração. Rodri é o homem que vai ditar esse ritmo no meio de campo, um volante tão genial que é capaz de controlar o tempo da partida sozinho.
A Albiceleste vai caçá-lo desde o primeiro apito do árbitro. Vimos essa tática contra a Inglaterra, com as estrelas da Argentina atropelando os principais jogadores ingleses para tentar quebrar o ritmo deles.
O que é preocupante para a Espanha é que a Argentina sabe que isso funciona. A Inglaterra parecia acuada e intimidada no segundo tempo da semifinal, o que permitiu a Lionel Messi fazer exatamente o que só Lionel Messi consegue fazer. É uma tática que eles não têm motivos para mudar.
Mas o que torna a previsão de um vencedor ainda mais difícil é o fato de ambas as seleções terem muita bagagem no levantamento de grandes taças.
A Espanha é a atual campeã europeia, e a Argentina conquistou três grandes títulos internacionais seguidos — incluindo, obviamente, a última Copa do Mundo —, contando com muitos dos mesmos jogadores no elenco atual. Ambos os times tiveram tempo para se consolidar como grupo, e ambos possuem treinadores que sabem como cruzar a linha de chegada.
E se o principal astro da Argentina, Messi, costuma ser o diferencial para sua equipe, a Espanha tem Lamine Yamal, que muitos consideram o herdeiro legítimo do trono do argentino.
Esta é uma final tão perfeitamente equilibrada que até eu (um torcedor inglês de coração partido) não consigo deixar de ficar animado.
“Messi é o maior da história, não há mais dúvida”, decreta Scaloni

