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Associação de biocombustíveis nos EUA celebra tarifa contra o brasil

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Associação de biocombustíveis nos EUA celebra tarifa contra o brasil

A associação norte-americana Growth Energy, que representa a indústria de biocombustíveis dos Estados Unidos, comemorou a decisão do governo Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros e afirmou que a medida é uma resposta às barreiras comerciais impostas pelo Brasil ao etanol americano.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, a entidade afirmou que, há quase uma década, o Brasil “bloqueia de forma injusta” as importações de etanol dos Estados Unidos, enquanto os produtores brasileiros continuam tendo acesso ao mercado americano.

Segundo a presidente da Growth Energy, Emily Skor, o desequilíbrio comercial causou prejuízos aos produtores de milho e às usinas de etanol dos Estados Unidos. “Não buscamos tratamento preferencial, apenas o retorno de uma relação comercial mutuamente benéfica que já existiu entre os dois maiores produtores mundiais de biocombustíveis”, afirmou.

A manifestação ocorre após a conclusão de uma investigação conduzida pelo USTR ( Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), que apontou práticas consideradas desleais por parte do Brasil. O resultado da apuração serviu de base para a decisão do governo americano de ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros.

RenovaBio também entra na disputa

Além das tarifas de importação, a Growth Energy voltou a criticar o programa brasileiro RenovaBio, política criada para estimular a descarbonização do setor de combustíveis.

Segundo a entidade, o programa discrimina sistematicamente o etanol americano ao dificultar sua certificação e participação no mercado brasileiro. A associação também acusa o Brasil de mascarar impactos relacionados ao desmatamento, ao mesmo tempo em que atribui, de forma considerada indevida pelos americanos, mudanças no uso da terra à produção de etanol dos Estados Unidos.

Na avaliação da entidade, essas práticas prejudicam não apenas o acesso ao mercado brasileiro, mas também afetam as exportações americanas para outros mercados, como Reino Unido, Japão e União Europeia.

A associação ainda afirmou que apoia a decisão do governo Trump por considerar que ela ajuda a impedir que o Brasil restrinja a participação do etanol americano em novos mercados, como os combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e para o transporte marítimo.

Histórico da disputa

O comércio de etanol entre Brasil e Estados Unidos passou por sucessivas disputas desde 2017. Naquele ano, o Brasil deixou de conceder isenção total para o etanol americano e passou a adotar cotas de importação, seguidas posteriormente pela aplicação da Tarifa Externa Comum do Mercosul.

O setor americano defende que haja reciprocidade nas condições de acesso aos mercados, enquanto o Brasil argumenta que as medidas adotadas buscam proteger a produção nacional, especialmente a indústria de etanol de milho e de cana, além de preservar sua política de biocombustíveis e descarbonização.

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