Thomas Tuchel chegou badalado à seleção da Inglaterra em 2025 para substituir Gareth Southgate depois da desilusão de perder a Eurocopa de 2024 e ficou a alguns minutos de levar sua equipe à revanche contra a Espanha. O técnico, porém, armou uma retranca para suportar quase 30 minutos de ataque da Argentina, perdeu, e agora volta a ser questionado por suas escolhas táticas e também convocações.
Antes mesmo do início do torneio, a lista de chamados da campeã de 1966 espantou por não ter nomes como Alexander-Arnold, Cole Palmer, Harry Maguire, Luke Shaw e Phil Foden.
É verdade que eles não faziam suas melhores temporadas, mas o meio-campista do Chelsea, por exemplo, havia sido um dos grandes destaques do título de seu clube no Mundial de Clubes de 2025 e liderava aquele time. E com os que foram, também teve polêmica.
Um dos craques da Inglaterra na Copa de 2026 com seis gols, Jude Bellingham respondeu a um comentário do técnico após a vitória sobre a Noruega que algumas pessoas interpretaram como uma alfinetada. “Talvez ele não saiba como é jogar nessas condições contra Haaland, Odegaard, Nusa e Sorloth”, disse o meio-campista, à época.
É difícil compreender o que ele quis dizer de fato, já que Tuchel foi campeão da Champions League de 2020-21 enfrentando nomes até melhores do que os adversários do confronto das quartas de final. Qualquer clima ruim foi negado pelo próprio treinador.
“Se você cortar os comentários do técnico dele e disser: ‘Ah, seu técnico disse que você foi displicente’, o que você espera? É claro que vocês recebem o comentário e depois tentam exagerar, criando mal-entendidos e fissuras onde não existem”, disse o inglês, acusando a imprensa de ter aumentado a história.
As críticas da mídia local, porém, começaram antes mesmo da Copa do Mundo. Em março, a Inglaterra perdeu para o Japão de 1 a 0 e os jornais não o pouparam. “Está ficando sem tempo para fazer sua mágica acontecer; após essa exibição letárgica, está a milhas de distância de ser uma candidata ao título”, escreveu o Daily Mail, à época.
Outros veículos, como o The Telegraph, foram ainda mais incisivos e chamaram aquele amistoso de “humilhação. “Tuchel roubou a alma da Inglaterra. Humilhação sofrida contra o Japão”, analisou o jornal.
O treinador deixou de fora um quinteto que, junto, soma 197 jogos pela seleção: Alexander-Arnold, Cole Palmer, Harry Maguire, Luke Shaw e Phil Foden. O meio-campista do Chelsea era o único que nunca havia sido convocado para uma Copa do Mundo e alguns já tinham até duas edições no currículo.
O lateral-direito do Real Madrid voltou à contenda quando Tino Livramento foi cortado por conta de uma lesão na panturrilha, mas Tuchel preferiu levar Trevoh Chalobah, zagueiro que não entrou em campo em um único jogo sequer na América do Norte. Assim, ficou com poucas opções para a posição.
Nem mesmo a retranca contra a Argentina foi suficiente para o defensor do Chelsea sair do banco. E essa opção tática é outro quesito que coloca o trabalho do técnico em xeque.
A Inglaterra jogava bem contra a Argentina até a metade do segundo tempo, quando ele tirou o autor do gol que abriu o placar, Anthony Gordon, para colocar Ezri Konsa; depois, Declan Rice para a entrada de Nico O’Reilly e, por fim, Reece James para dar lugar a Dan Burn. Em suma, trocou um atacante, um meio-campista e um lateral por um zagueiro, um lateral e outro zagueiro, respectivamente.
Resultado disso: os ingleses praticamente abdicaram de jogar e entregaram a bola aos argentinos, que empataram com Enzo Fernández, após uma série de ‘milagres’ de Jordan Pickford, aos 40, e viraram com Lautaro Martínez, aos 47.
Tuchel seguir ou não no comando da Inglaterra ainda é uma incógnita, mas a dura eliminação para um rival histórico como a Argentina, cheio de contratempos no percurso, é marcante. Chegar as semifinais, campanha melhor que a de 2022 e igualando à de 2018, não representa um trabalho ruim. Dependerá da paciência da torcida, do elenco e da federação após perderem uma vaga na final que parecia certa.
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