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Tarifas prejudicam população, governo Lula e Flávio, diz especialista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Tarifas prejudicam população, governo Lula e Flávio, diz especialista

O governo norte-americano oficializou nesta quinta-feira (15) uma nova rodada de tarifas contra produtos brasileiros, com uma alíquota adicional de 25% sobre diversos itens, após recomendação do USTR. Em entrevista ao WW, o professor Maurício Moura, da Universidade George Washington, analisou os impactos do chamado “tarifaço” americano sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto e a população brasileira.

Moura afirmou que o “tarifaço” é prejudicial para todos. “Obviamente, dá a sensação de que quem vai pagar a conta no final vai ser o consumidor, vai ser o eleitor”, declarou, acrescentando que é necessário acompanhar de perto os efeitos práticos na economia brasileira em termos de emprego, inflação e custo de produtos e serviços.

“Eu não vejo como essas tarifas podem de alguma maneira ajudar a população brasileira, muito pelo contrário, isso afeta o governo que está liderando esse processo de negociação nos EUA”, disse Moura, fazendo referência às conversas do governo Lula na tentativa de reverter as tarifas.

Segundo ele, a medida representa, no curto prazo, mais um desafio para a campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O professor identificou um padrão recorrente na atuação de Flávio Bolsonaro diante de momentos de crise.

“Toda vez que teve uma crise, ele viajou para Washington para tentar, de alguma maneira, estabelecer ou demonstrar uma parceria, uma aliança e uma proximidade com Donald Trump, primeiro para desviar o assunto e, segundo, para mostrar o peso político dele com a Casa Branca”, explicou Moura.

Segundo ele, o “tarifaço” prejudica diretamente essa narrativa, pois evidencia que a suposta proximidade com o governo americano não traz benefícios concretos para o eleitor.

Tarifaço não pode ser atribuído ao bolsonarismo, diz analista

Durante o debate, o analista Lourival Sant’Anna debate rebateu com firmeza a tese de que o “tarifaço” seria resultado de influência do bolsonarismo sobre o governo americano. “Isso é superestimar a influência dos bolsonaristas e da sua corrente sobre o governo americano. Eles não têm essa influência”, afirmou.

Para ele, o que os aliados de Bolsonaro podem fazer é, no máximo, trazer subsídios para que o governo americano adote medidas que já estavam encaminhadas, como ocorreu com a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

O analista destacou ainda que o presidente Donald Trump defende tarifas há décadas, com uma visão marcadamente mercantilista do comércio internacional. “O Trump acredita em tarifas há 40 anos. Ele vê o mercado americano como uma loja de departamentos: para você entrar, você tem que pagar um ingresso”, explicou.

Nesse contexto, o Brasil seria especialmente afetado por ser um país historicamente protecionista, o que o torna vulnerável a esse tipo de política comercial americana. O Reino Unido foi citado como exemplo de país que conseguiu estancar o processo rapidamente, fechando um acordo com os Estados Unidos poucos meses após o início das tarifas.

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