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Tarifaço dos EUA é interferência externa indevida, diz Durigan

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Tarifaço dos EUA é interferência externa indevida, diz Durigan

O tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil é uma “interferência indevida externa”, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

“Do ponto de vista do governo, essa interferência externa, seja ela política, seja ela econômica, seja ela uma forma qualquer de afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros, é inadmissível que isso aconteça a essa altura do campeonato”, enfatizou Durigan em coletiva de imprensa do governo nesta quinta-feira (16).

“A política econômica de um país é feita para os seus cidadãos, não para atender o secretário de Estado de um outro país […]. É para reduzir desigualdade, melhorar o bem estar das famílias e combater o privilégio e injustiças que a gente adota a política econômica num país”, pontuou.

Sobre o impacto econômico que a medida pode gerar, Durigan afirmou que a estabilidade do país está garantida.

Quanto ao apoio que será prestado pelo governo aos exportadores, o ministro da Fazenda afirmou que ainda não há um valor cravado, uma vez que há necessidade de ouvir primeiramente os setores mais impactados, mas garantiu que terão assistência como foi feito anteriormente.

A expectativa é de, segundo Durigan, um montante menor do que o pago anteriormente na ocasião do tarifaço de 50%.

Na quarta-feira (15), o presidente dos EUA, Donald Trump, acatou recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.

O novo tarifaço é oriundo de uma investigação do USTR que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou a primeira tarifa de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.

No começo de junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana – ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.

O USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.

Segundo as autoridades dos EUA, a ação de tarifar o Brasil visa eliminar as práticas desleais de comércio investigadas.

Durigan defendeu que a medida foi movida por “motivação falsa”, de modo que “fere o senso mais básico do nosso patriotismo”.

“O governo considera as tarifas ilegítimas pois fundadas em argumentos falsos. O que atrapalha […] são as tarifas, que aumentam os custos para o consumidor norte-americano; atrapalham o empresário brasileiro que se esforça, que investe para expandir a exportação brasileira; e reduz a participação dos Estados Unidos […] na balança comercial, no comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos”, indagou o ministro, ressaltando a complementaridade entre os dois países.

O ministro atacou a oposição, dizendo que esta utiliza do tarifaço como “muleta eleitoral”.

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