O setor brasileiro de mel comemorou a decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o produto na lista de exceções às tarifas adicionais de 25% impostas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
A medida preserva o acesso do principal mercado comprador do mel brasileiro e é atribuída por representantes da cadeia a um trabalho de mais de seis meses envolvendo exportadores, produtores, importadores americanos e o governo brasileiro.
Para o presidente da Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel), Renato Azevedo, a exclusão do produto da sobretaxa representa o reconhecimento de argumentos técnicos apresentados pelo governo americano ao longo das negociações.
“É muito positivo e resultado de muita luta. Tivemos o envolvimento de toda a cadeia produtiva, dos produtores, dos exportadores, dos importadores dos Estados Unidos, dos envasadores e também do governo brasileiro e da Apex. Foi um trabalho conduzido por diversas mãos e puramente técnico”, afirmou à CNN Brasil.
Segundo Azevedo, um dos principais argumentos foi a relevância do mel orgânico brasileiro para o mercado americano. O Brasil é hoje o maior produtor mundial desse tipo de produto, enquanto os Estados Unidos não possuem capacidade de produção suficiente para atender sua própria demanda.
O mel brasileiro corresponde por 75% do total importado pelos americanos e cerca de 80% do mel produzido no país é direcionado aos EUA, juntos esses fatores colaboraram na defesa do setor. “Os Estados Unidos não produzem mel orgânico e não têm condição de produzir na escala necessária. Foi uma decisão técnica e muito acertada”, disse.
A participação de importadores nas discussões foi essencial para a colocação do mel na lista de isenções, mas apesar da comemoração, o dirigente ressaltou que o setor continua defendendo a eliminação de todas as barreiras tarifárias.
“O ideal é que não exista tarifa nenhuma. Sabemos que parte dessas medidas tem um aspecto político, então esse desafio precisa ser resolvido tanto do ponto de vista técnico quanto político”, acrescentou.
Audiência em Washington
A articulação do setor incluiu reuniões e uma audiência pública promovida pelo USTR, em Washington, onde representantes da cadeia defenderam a manutenção do acesso do mel brasileiro ao mercado americano.
O diretor da Abemel, João Marcello, que participou da audiência, afirmou que a decisão é resultado de um longo esforço conjunto.
“Foram mais de seis meses de trabalho pesado em cima desse tema. O resultado positivo veio, e isso é o que importa. É fruto do nosso trabalho e esforço como setor. Na audiência, estive representando centenas de milhares de apicultores que dependem da apicultura. É um resultado muito importante para toda a cadeia produtiva”, disse.
Dependência do mercado americano
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de mel, especialmente do mel orgânico produzido no Nordeste. Antes da decisão, o setor alertava que a tarifa de 25% poderia comprometer a competitividade do produto brasileiro, elevar custos para importadores americanos e provocar impactos econômicos sobre milhares de pequenos apicultores.
Importadores americanos afirmaram que o mel orgânico brasileiro possui características difíceis de substituir e chega a alcançar valor até cinco vezes superior ao do mel convencional no mercado dos Estados Unidos.
A participação da indústria americana foi fundamental para destacar que a produção doméstica americana não é suficiente para abastecer o consumo interno, tornando o produto brasileiro estratégico para a indústria local.
Representantes da Abemel vinham defendendo que justamente essa dependência do mercado americano em relação ao mel brasileiro seria um dos principais argumentos para reverter a inclusão do produto nas tarifas adicionais. A decisão do USTR, segundo o setor, confirma que a estratégia baseada em critérios técnicos prevaleceu nas negociações.
Embora a exclusão represente um alívio para a cadeia do mel, representantes da associação afirmam que continuam acompanhando as discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e torcem para que outros segmentos do agronegócio também consigam ser retirados da lista de produtos sujeitos às tarifas.
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