O governo dos EUA afirmou nesta quarta-feira (15) que poderá rever as medidas comerciais adotadas contra o Brasil caso haja uma resposta do governo brasileiro ao novo tarifaço anunciado por Washington.
A afirmação foi feita pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, durante uma declaração à imprensa após a oficialização de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
“Não é de interesse de ninguém que ocorram retaliações”, afirmou Greer.
O representante do comércio americano ressaltou, no entanto, que o governo americano permanece aberto ao diálogo.
Segundo Greer, os EUA esperam que o Brasil conceda às empresas americanas o mesmo acesso a regimes preferenciais oferecidos a outros países.
Greer afirmou ainda que “não é segredo o que queremos” e citou como exemplos o mercado de etanol e os regimes preferenciais concedidos pelo Brasil.
“Vocês fecharam o mercado de etanol. Voltem a ter tarifas recíprocas e igualitárias. Gostaríamos de ter acesso a regimes preferenciais”, disse.
Novo tarifaço
O governo dos Estados Unidos oficializou nesta quinta-feira a aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros.
O presidente americano Donald Trump acatou recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.
Segundo Jamieson Greer, a lista de produtos tarifados será publicada ainda nesta noite. Ele adiantou, porém, que café e carnes – bens de relevância na balança comercial entre o Brasil e os EUA – estarão isentos.
“O presidente tomou a decisão de tomar ação responsiva”, disse Greer.
Anteriormente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que avalia como provável uma retomada no processo da Lei de Reciprocidade caso o novo tarifaço se confirmasse.
“A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade”, afirmou.
O novo tarifaço é oriundo de uma investigação do USTR que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou a primeira tarifa de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.
No começo de junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana – ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
O USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
O Representante Comercial dos EUA se referiu ao Pix como um “campeão nacional” que “promove condições desleais de competição no comércio eletrônico”.
Ao se referir a regimes tarifários preferenciais do Brasil a países como México e Índia, Greer afirmou que os EUA têm interesse de serem incluídos em acordos semelhantes para que os exportadores norte-americanos possam competir em pé de igualdade.
Sobre desmatamento, ele reconheceu que o país mobiliza uma legislação para combater atividade ilegal, mas reiterou que a investigação apurou que a aplicação legal tem falhado.
Segundo a autoridade, a ação de tarifar o país visa “eliminar as práticas desleais de comércio investigadas”.
Porém, a SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda avalia que, caso sejam implementadas, as novas tarifas dos Estados Unidos às exportações brasileiras devem ter impacto “reduzido” na economia brasileira, segundo o boletim macrofiscal divulgado mais cedo nesta quinta.
(Com informações de João Nakamura e Gabriel Bosa, da CNN Brasil)

