Os rodoviários do Rio de Janeiro decidiram manter o estado de greve após rejeitarem a mais recente proposta de reajuste salarial apresentada pelo sindicato patronal, nessa quarta-feira (15). Em audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a categoria negou o índice de 5% oferecido pelo Rio Ônibus, sob o argumento de que a proposta não contempla pontos centrais da pauta, como a regularização do intervalo de refeição.
O impasse entre as partes continua após sucessivas rodadas de negociação. Enquanto as empresas de ônibus elevaram a proposta anterior de 4,5% para 5%, o Sindicato dos Rodoviários havia flexibilizado sua pedida inicial de 17% para 12%, a serem aplicados em duas parcelas.
Para os trabalhadores, a questão do intervalo de refeição é considerada inegociável, pois sua correta indenização representaria um ganho indireto de aproximadamente 8% nos vencimentos.
De acordo uma liderança sindical, a estratégia atual foca em esgotar os trâmites legais de conciliação antes de decidir por uma paralisação total, visando manter o apoio da opinião pública. O sindicato também avalia a possibilidade de negociar acordos por empresa, caso a convenção coletiva com o Rio Ônibus não avance.
Impacto jurídico e mobilização
A mobilização da categoria ocorre sob uma liminar que determina a manutenção de 80% da frota circulante em caso de paralisação. O jurídico do sindicato tenta reverter a decisão em Brasília, alegando que o percentual inviabiliza o direito de greve.
A audiência de conciliação no TRT foi remarcada para a próxima quarta-feira (22), após o tribunal e o Ministério Público insistirem que as empresas apresentem uma proposta mais coerente sobre a cesta básica e o intervalo de almoço. Até que um novo documento seja protocolado e levado para assembleia, os motoristas e cobradores permanecem em greve.

