A relação de troca entre commodities agrícolas e fertilizantes apresentou melhora em junho, impulsionada principalmente pela queda dos preços da ureia, o que ampliou o poder de compra dos produtores para os fertilizantes nitrogenados e manteve o potássio em patamar favorável. Apesar da recuperação, os indicadores mostram que as condições ainda estão distantes do ideal, especialmente no mercado de fosfatados, onde os preços seguem elevados e continuam pressionando a capacidade de compra para culturas como soja, milho, café e citros.
Levantamento do Rabobank mostra que o índice de acessibilidade de fertilizantes (Affordability Index) registrou melhora em junho em relação a maio, refletindo principalmente o recuo das cotações da ureia nas últimas semanas.
Segundo Bruno Fonseca, analista de insumos do Rabobank, o índice dos fertilizantes NPK passou de -0,13 em maio para -0,11 em junho. Como o indicador varia de -1 a 1, quanto mais positivo o resultado, maior o poder de compra do produtor.
O movimento foi mais intenso entre os fertilizantes nitrogenados, que incluem a ureia. O índice desse segmento passou de -0,11 em maio para 0,09 positivo em junho, após atingir -0,25 em abril. A recuperação ocorreu depois que a ureia caiu de cerca de US$ 815 por tonelada, em meados de abril, para aproximadamente US$ 425 no fim de junho, menor patamar desde o final de janeiro.
Segundo Fonseca, a melhora tende a beneficiar especialmente os produtores que irão adquirir fertilizantes para o milho safrinha do próximo ciclo.
Já o potássio permaneceu em terreno positivo, embora com leve recuo, passando de 0,15 para 0,13 entre maio e junho.
No mercado de fósforo, entretanto, o cenário permanece desfavorável. Com os preços próximos de US$ 900 por tonelada desde abril, o índice passou de -0,09 no início do ano para -0,38 em junho, indicando deterioração da relação de troca. O Rabobank avalia que esse quadro pode continuar limitando as compras para culturas como soja, milho safrinha, café e citricultura.
Na avaliação regional do Rabobank, Minas Gerais apresentou o melhor desempenho, com índice de 0,15, favorecido pelo peso da cafeicultura. São Paulo registrou índice de 0,0, enquanto Mato Grosso, Goiás e Paraná e Mato Grosso do Sul apresentaram relações de troca menos favoráveis, com -0,13, -0,17, -0,17 e -0,24, respectivamente.
Após a alta dos preços provocada pelos conflitos no Oriente Médio, o Rabobank também revisou sua projeção para as entregas de fertilizantes no Brasil. A estimativa caiu de cerca de 47 milhões para aproximadamente 45 milhões de toneladas em 2026. Segundo o banco, o desempenho das vendas dependerá da evolução dos preços e da situação financeira dos produtores nos próximos meses.
Índice de Poder de Compra de Fertilizantes
Já o IPCF (Índice de Poder de Compra de Fertilizantes), divulgado pela empresa de fertilizantes Mosaic, também apontou melhora na relação de troca em junho, embora utilize metodologia diferente da empregada pelo Rabobank. O indicador encerrou o mês em 1,42, queda de 7,5% em relação a maio. Pela metodologia do IPCF, quanto menor o índice, mais favorável é a relação entre os preços dos fertilizantes e das commodities agrícolas.
Segundo a Mosaic, a melhora refletiu a combinação entre a queda média de aproximadamente 3% nos preços das commodities agrícolas e a redução de cerca de 8% no custo dos principais fertilizantes utilizados no país. A valorização de 3% do dólar no período compensou parcialmente esse movimento.
Entre as commodities, houve queda de 1,1% na soja, 5,2% no milho, 3,2% no algodão e 4% na cana-de-açúcar, em um cenário de maior oferta e avanço da colheita do milho safrinha. Do lado dos insumos, a retração foi puxada pela queda de 30% da ureia e de 9% no SSP (superfosfato simples), enquanto os preços do MAP (fosfato monoamônico) e do KCl (cloreto de potássio) permaneceram estáveis.
A Mosaic afirma que, com a aproximação do plantio da safra de verão, os produtores voltam a concentrar as compras dos fertilizantes remanescentes, especialmente os fosfatados destinados à soja. A empresa também aponta que a redução da sustentação dos preços do petróleo contribuiu para um ambiente de menor pressão sobre os preços internacionais dos fertilizantes.

