O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, afirmou, em entrevista ao Bastidores CNN desta quinta-feira (16), que “picuinhas” políticas estão atrapalhando a relação entre o Brasil e os Estados Unidos, em meio ao tarifaço de 25% imposto pelo governo americano sobre produtos brasileiros.
Para Skaf, o Brasil deveria priorizar uma boa relação comercial com os EUA, em vez de se deixar envolver por disputas de natureza política. O presidente da Fiesp reconheceu que há posturas políticas de ambos os lados, mas destacou que o problema central está na falta de boa vontade entre as partes.
“Quando o lado político atinge alguns pontos, atrapalha a negociação e a prioridade deixa de ser técnica. É arrumar pretexto para fazer alguma coisa que politicamente querem fazer”, afirmou Skaf.
Sobre as críticas americanas ao Pix, Skaf foi categórico: “Não é da conta dos americanos criticarem o Pix. O Pix interessa ao Brasil e é algo bom para nós.”
Ele também mencionou as questões do desmatamento e da pirataria, temas que também estavam presentes na investigação do USTR, que serve de base para as novas tarifas.
Skaf reconheceu que houve melhora no combate ao desmatamento e admitiu que o Brasil tem um problema real com pirataria, mas que também é uma questão que vem sendo combatida.
“Por que eles estão procurando pretexto? Porque não está havendo boa vontade. E não está havendo boa vontade porque estamos no campo político”, observou.
Impacto do tarifaço
Ao analisar os efeitos concretos da tarifa de 25%, Skaf ponderou que, no contexto macro, o impacto é limitado. Ele explicou que o Brasil exporta globalmente cerca de US$ 400 bilhões, dos quais aproximadamente 37 a 40 bilhões vão para os Estados Unidos, o equivalente a 10% do total.
Skaf acrescentou que cerca de 60% dessas importações aos EUA já são isentas de tarifas, restando apenas 40% sujeitos a alguma tributação. “Não são esses 4% que vão acabar com a economia brasileira, e muito menos na economia americana terá algum abalo nesse sentido”, avaliou.
Apesar do impacto macroeconômico relativamente contido, Skaf alertou para os efeitos setoriais. “Tem empresas, tem setores, tem segmentos que vão ser muito prejudicados“, disse.
Para ele, qualquer risco de emprego perdido deve ser valorizado e defendido. “Qualquer atitude que venha a prejudicar uma única empresa brasileira, um único emprego brasileiro, não serve, não está dentro dos interesses da nação brasileira.”
Diplomacia empresarial
Skaf defendeu a chamada diplomacia empresarial, entre empresas brasileiras e norte-americanas, como a principal saída para superar o impasse.
“Os 60% que foram isentos não são frutos de negociações governamentais, foram por meio da diplomacia empresarial, das empresas que conseguiram, junto a seus parceiros americanos, serem isentas”, afirmou Skaf.
Para o presidente da Fiesp, o Brasil precisa urgentemente corrigir o tom político na relação com os Estados Unidos. “Não dá para toda hora haver declarações que possam estar agredindo aquele parceiro que nos interessa, um bom cliente, a maior economia do mundo”, afirmou.
Na avaliação dele, foram “intenções eleitorais” que levaram o Brasil a adotar posturas de confronto. “Levantar bandeiras contra os americanos e termos como soberania não vêm ao caso. O Brasil acaba se prejudicando com isso”, concluiu.

