O MPPA (Ministério Público do Pará) marcou uma reunião com autoridades do município de Soure, no Arquipélago do Marajó, no Pará, após a repercussão negativa de um vídeo publicado por uma influenciadora digital que mostrava um búfalo sem pele e morto.
As imagens mostram o animal já sem vida e sem pele sendo colocado nas águas de um rio antes de a carne ser preparada e distribuída para moradores da região. O caso gerou críticas nas redes sociais e motivou a atuação do Nudan (Núcleo de Defesa dos Direitos dos Animais).
A reunião institucional está marcada para acontecer na manhã da próxima terça-feira (21), no gabinete da Prefeitura de Soure. Segundo o MPPA, o objetivo é fortalecer o diálogo entre os órgãos públicos para definir estratégias voltadas à proteção e ao bem-estar animal, além de discutir questões relacionadas à saúde pública, ao meio ambiente e ao patrimônio cultural do município.
Devem participar do encontro o prefeito de Soure e representantes das secretarias municipais de Meio Ambiente, Saúde e Cultura.
Entenda o caso
O vídeo foi publicado na última quarta-feira (15) pela influenciadora paraense Lia Mendonça, que soma mais de 3 milhões de seguidores nas redes sociais.
Nas imagens, ela aparece ao lado de outros influenciadores mergulhando um búfalo já abatido e sem pele nas águas de um rio em Soure. Em seguida, o animal é preparado para consumo e parte da carne é oferecida a moradores da região.
A gravação provocou forte repercussão nas redes sociais. Entre as críticas, usuários apontaram a exposição do animal, a possibilidade de contaminação da água e questionamentos sobre a forma de abate e as condições sanitárias da carne distribuída.
Segundo o MPPA, não há informações sobre como ocorreu o abate do animal nem sobre eventual inspeção sanitária da carne oferecida à população.
Para o Ministério Público, a situação pode representar riscos relacionados à segurança alimentar e à saúde pública. O Nudan também avalia que o episódio causou grande indignação, especialmente entre moradores do Marajó, onde o búfalo é considerado um símbolo cultural e faz parte da identidade regional.
Na avaliação do núcleo, a forma como o animal foi exposto pode configurar dano moral coletivo por atingir valores culturais e ambientais da população local.
O que disse a influenciadora
Após a repercussão, Lia Mendonça publicou um vídeo pedindo desculpas aos moradores do Marajó que se sentiram ofendidos.
Ela afirmou que o búfalo foi adquirido legalmente em um frigorífico, apresentou um print da nota fiscal com parte das informações ocultadas e disse que toda a preparação ocorreu com higiene e que a carne era própria para consumo.
A influenciadora também declarou que parte do animal foi doada à população e negou qualquer irregularidade no procedimento. Segundo ela, continuará produzindo conteúdos sobre o Pará, no entanto, a publicação original foi removida das redes sociais.
Nos comentários da postagem apagada, a influenciadora chegou a agradecer uma suposta parceria com a Prefeitura de Soure. Em nota, a administração municipal negou qualquer vínculo com o conteúdo divulgado e afirmou que não produziu, autorizou ou apoiou, direta ou indiretamente, a gravação.
A prefeitura destacou que o uso institucional de sua imagem é restrito aos canais oficiais e afirmou que nenhum servidor possui autorização para associar o nome da gestão a iniciativas que não sejam oficialmente reconhecidas.
Por fim, o município ressaltou que a criação de búfalos é uma atividade histórica do Marajó, ligada à economia, à agricultura familiar e ao sustento de centenas de famílias, sendo regulamentada e reconhecida como parte da identidade cultural e da matriz produtiva da região.

