A maioria dos brasileiros demonstra preocupação com os possíveis impactos do novo tarifaço, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16). No entanto, Lucinda Pinto avalia que os efeitos da medida devem ser concentrados em setores e regiões específicas, sem impacto direto generalizado sobre a população.
De acordo com a analista de Economia da CNN, a situação atual é consideravelmente diferente do cenário das tarifas de 2025, quando os riscos eram mais amplos.
“No ano passado, quando a gente conversava com os economistas, tinha um risco muito maior colocado, risco de estagflação. Tarifas de 50% poderiam gerar muita inflação e, ao mesmo tempo, desemprego. Desta vez, a leitura é de que haverá um prejuízo importante, porém concentrado“, explicou Lucinda durante o Hora H desta quinta.
Lucinda destacou que as empresas mais vulneráveis são aquelas que têm os Estados Unidos como seu único mercado consumidor, com destaque para companhias localizadas em regiões de Santa Catarina.
“Para essas empresas, a tarifação é realmente um problema. Esses produtos vão ficar muito mais caros, elas vão precisar, provavelmente, de alguma política de apoio do governo neste momento. Possivelmente terão algum tipo de demissão ou uma redução de quadro”, afirmou.
Segundo ela, isso traria um efeito direto na vida das pessoas nessas regiões específicas.
Preocupação no médio e longo prazo
No que diz respeito à inflação para o consumidor brasileiro, a analista foi categórica. “Quando eu chegar no supermercado, os preços vão ficar mais caros? A resposta é não, pelo menos não no curto prazo”, disse.
Ela explicou que quem tende a pagar mais caro é o consumidor americano, já que os produtos taxados são aqueles que empresas americanas compram do Brasil.
Teoricamente, segundo a analista, alguns produtos que deixassem de ser exportados para os Estados Unidos poderiam até aumentar a oferta no mercado interno, com possível efeito de redução de preços. “Não é isso que está desenhado, mas estamos falando em termos teóricos”, pontuou Lucinda.
Apesar do diagnóstico mais tranquilo para o curto prazo, a analista apontou para riscos sobretudo em setores de maior valor agregado e de alta tecnologia, como o de máquinas e equipamentos.
Lucinda ressaltou que a indústria brasileira já vinha enfrentando dificuldades há muito tempo, com efeitos de concorrência global, taxas de juros elevadas e dados de produção industrial fracos.
“É uma péssima notícia, porque é um setor que o Brasil precisa reforçar”, concluiu a analista.

