Os Estados Unidos oficializaram a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que entrará em vigor no dia 22 de julho. O anúncio foi feito pelo Representante de Comércio dos EUA (USTR), por determinação de Donald Trump, encerrando uma investigação comercial que durou cerca de um ano.
Na esteira da decisão, Marco Rubio se posicionou publicamente sobre o tema. O secretário de Estado de Trump afirmou, por meio das redes sociais, que o governo brasileiro teria privilegiado o ego em detrimento do povo.
“Essa declaração dele acaba politizando um assunto que deveria ser tratado de uma forma técnica pelos dois governos, tanto pelo governo brasileiro como pelo governo norte-americano”, destacou o analista sênior de Internacional Américo Martins, durante o Live CNN desta quinta-feira (16).
Martins destacou que Rubio é um dos nomes mais ideológicos do governo Trump, com atenção especial voltada para a América Latina.
Negociações sem flexibilidade
De acordo com o analista, a negociação entre Brasil e Estados Unidos fracassou porque nenhum dos dois lados demonstrou disposição para fazer concessões.
“O governo americano, quando anunciou a investigação e que poderia aplicar essas tarifas de 25%, estava dando todas as senhas de que não mudaria de posição, a não ser que o Brasil aceitasse todas as demandas dos EUA”, afirmou Martins.
Ele afirmou que, segundo relatado por negociadores brasileiros, as demandas americanas sequer ficavam claras durante o processo. Martins lembrou que os EUA possuem superávit com o Brasil, diferentemente da relação com outros países.
“Isso acabou contaminando toda a negociação entre os dois lados e não houve, infelizmente, flexibilidade nem do lado brasileiro e muito menos do lado americano. O governo americano já chegou à mesa não querendo negociar, basicamente esperando que o Brasil aceitasse todas as exigências”, observou o analista.
O novo tarifaço foi descrito por Martins como “péssimo” para a economia brasileira, com impacto direto sobre empresas, trabalhadores e setores exportadores que dependem do mercado norte-americano.
Comparação com UE e China
Martins traçou um paralelo entre as diferentes estratégias adotadas por países na relação comercial com os Estados Unidos.
A União Europeia, que exporta mais do que importa para os Estados Unidos, teria cedido rapidamente às exigências de Washington. A decisão foi criticada por líderes como Emmanuel Macron, que considerou a negociação europeia muito desfavorável.
Já a China optou por uma postura de confronto direto. O país asiático ameaçou retaliações e forçou os americanos a fazerem concessões, resultando em acordos temporários.
O Brasil, segundo Martins, tentou uma terceira via, buscando negociar de igual para igual. “Parte da discussão foi que os Estados Unidos têm superávit com o Brasil, sobre o que eles querem com essas demandas”, observou Martins.
O analista mencionou também que os Estados Unidos apresentaram dados desatualizados, com quatro ou cinco anos de defasagem, para justificar as tarifas, inclusive em relação ao desmatamento, ignorando a realidade mais recente do Brasil.

