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Amcham explica impacto do tarifaço dos EUA e cita setores afetados

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Amcham explica impacto do tarifaço dos EUA e cita setores afetados

O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos pode afetar até US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a cerca de 26% de tudo que o Brasil vende ao país norte-americano em mercadorias. A avaliação é de Fabrizio Panzini, diretor de Relações Governamentais da Amcham, que analisou os impactos da medida e defendeu a continuidade do diálogo bilateral em entrevista ao CNN 360°.

Segundo Panzini, a tarifa de 25% é específica para o Brasil e incide sobre produtos de maior valor agregado, o que amplia os efeitos negativos para além das empresas exportadoras.

“São mercadorias, são bens, produtos de mais alto valor agregado e que têm uma repercussão não apenas nas empresas que exportam, mas também em toda a cadeia produtiva e em todos os fornecedores”, afirmou.

O impacto das tarifas, na avaliação de Panzini, vai além da relação direta entre Brasil e Estados Unidos. Ele citou o setor de máquinas e equipamentos como exemplo de segmento que ficou fora das exceções previstas na medida e que consome insumos como aço, borracha e plástico.

“Quando você deixa de exportar uma máquina de construção, uma máquina agrícola ou um equipamento de energia elétrica para os Estados Unidos, você afeta essa empresa e afeta todos os demais”, explicou. Para Panzini, recuperar um mercado dessa magnitude com outros parceiros comerciais é uma tarefa complexa.

Panzini destacou ainda o caráter complementar da relação econômica entre os dois países. Segundo ele, a imensa maioria dos bens trocados entre Brasil e Estados Unidos ocorre entre empresas do mesmo grupo, envolvendo insumos usados na produção de ambos os lados. “É de fato um efeito maior do que a primeira medida pode aparentar”, disse, reforçando a importância de manter os canais de diálogo abertos com Washington.

Canais de negociação permanecem abertos

Apesar de considerar inevitável a aplicação das tarifas na semana seguinte ao anúncio, Panzini demonstrou cautela otimista em relação às negociações. Ele lembrou que Jamieson Greer, ao apresentar a medida, afirmou que os Estados Unidos permanecem abertos para conversas.

“Talvez esse mês ou mês e pouco tenha sido um tempo curto para negociar tantas coisas ou conseguir colocar ofertas”, pontuou. Para Panzini, o Brasil deve aproveitar esse sinal positivo e seguir o caminho do diálogo e da negociação.

Ao ser questionado sobre o Pix — tema que ganhou destaque nas discussões comerciais e também no debate político brasileiro —, Panzini afirmou que cabe ao setor privado demonstrar aos dois governos o quanto a relação bilateral é importante e benéfica.

Ele mencionou o crescente interesse norte-americano na mineração de terras raras no Brasil como exemplo de como os países continuam aprofundando suas relações mesmo em um cenário de maior fricção comercial. “Os grandes investimentos em terras raras no Brasil são de financiamentos feitos pelo Development Finance Corporation dos Estados Unidos, o DFC”, ressaltou.

Urgência no retorno ao diálogo técnico

Sobre a influência do calendário eleitoral brasileiro nas negociações, Panzini defendeu que o ideal seria “baixar a poeira logo e voltar a conversar”. Ele observou que, apesar das tensões em nível político, as conversas entre as equipes técnicas de comércio dos dois países têm avançado. “Continuar investindo nesse diálogo é a chave para conseguir algum avanço”, concluiu.

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