O número de mortos pelo duplo terremoto que atingiu a Venezuela há quase três semanas subiu para 4.734, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira (14), enquanto a líder interina Delcy Rodríguez enfrenta críticas pela sua gestão da emergência e promove mudanças em seu gabinete.
O relatório divulgado por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e nomeado Chefe de Gabinete para os Acampamentos Temporários, registra um aumento de 173 mortes em comparação com o relatório de segunda-feira (13).
O número de feridos permanece em 16.740 há vários dias, enquanto 33.652 pacientes foram atendidos em hospitais, segundo o relatório.
Quase 18 mil pessoas perderam suas casas, mas as autoridades afirmaram que esse número aumentará à medida que o processo de inspeção continua nos prédios que não desabaram, mas sofreram danos.
Segundo esta atualização, 107 abrigos temporários foram instalados em todo o país, prestando assistência a quase 21 mil pessoas.
Dados oficiais indicam que 856 edifícios em todo o país foram danificados pelos terremotos de 24 de junho, dos quais 190 desabaram completamente. O governo estimou, durante o fim de semana, que seriam necessárias 25 mil casas para aqueles que perderam as suas.
Muitos cidadãos venezuelanos expressaram seu descontentamento, considerando a resposta do governo à tragédia lenta e insuficiente. Rodríguez rejeitou essas críticas, afirmando que as autoridades agiram rapidamente desde as primeiras horas da emergência e garantindo que todos os afetados receberão assistência.
Em meio às dúvidas sobre a crise, o presidente interino da Venezuela fez diversas mudanças no gabinete. A mais recente foi a fusão dos Ministérios das Relações Exteriores e do Comércio Exterior, com o diplomata Félix Plasencia assumindo agora o cargo de ministro das Relações Exteriores.
Plasencia, que já foi Ministro das Relações Exteriores de agosto de 2021 a maio de 2022 e até então era encarregado de negócios da Venezuela nos Estados Unidos, é um diplomata de carreira com longa trajetória no serviço exterior venezuelano, que remonta à década de 1990, e é próximo a Rodríguez.
Ele ocupou cargos como embaixador na China e na Colômbia.
Analistas e pessoas familiarizadas com sua carreira o descrevem como uma das figuras mais pragmáticas e conciliadoras do chavismo em assuntos diplomáticos, um perfil que ganha relevância em um momento em que Caracas busca consolidar o processo de normalização das relações com o governo dos EUA de Donald Trump.
Nesse processo, a Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pelo chavismo, agradeceu a Washington na terça-feira pela resposta após os terremotos de 24 de junho, durante o anúncio do início de uma agenda de trabalho com um segmento da oposição com o objetivo de “promover a estabilidade, a democracia e a recuperação nacional”.
O Parlamento agradeceu ao governo Trump pelo “apoio aos esforços destinados à recuperação do país, à consolidação da estabilidade e ao fortalecimento das instituições democráticas da Venezuela”.

