A Engie Brasil Energia deve movimentar pelo menos R$ 8 bilhões na oferta de ações cuja precificação ocorre nesta terça-feira (14), segundo fontes de mercado. A operação, uma das maiores do mercado brasileiro neste ano, pode alcançar até R$ 10,5 bilhões, caso seja exercido integralmente o lote adicional previsto na oferta.
A demanda dos investidores já supera em mais de duas vezes o volume inicialmente ofertado, de acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, refletindo o interesse pela reorganização societária que levará a participação de 40% da hidrelétrica de Jirau para dentro da Engie Brasil Energia.
Hoje, essa participação pertence à controladora Engie Brasil Participações (EBP). A operação fará com que a companhia aberta passe a deter diretamente 40% do ativo, por meio de um aumento de capital no qual a EBP utilizará suas ações de Jirau como forma de integralização, em vez de aportar dinheiro. A participação foi avaliada em R$ 5,744 bilhões, valor aprovado pelos acionistas e baseado em laudo independente.
A oferta prevê a emissão inicial de 178,7 milhões de ações, podendo esse volume ser ampliado em até 82,8%, para atender à demanda adicional identificada durante o processo de “bookbuilding”, processo em que os bancos coordenadores coletam as intenções de compra dos investidores para definir o preço final das ações na oferta.
Considerando a cotação de fechamento das ações em 3 de julho, a oferta teria valor de R$ 5,744 bilhões sem o lote adicional e de aproximadamente R$ 10,5 bilhões caso todas as ações adicionais sejam emitidas.
A operação também altera a estrutura acionária da companhia. Atualmente, a holding Engie Brasil Participações detém 68,7% do capital da Engie Brasil Energia, enquanto o Banco Clássico possui 9,9%. Os 21,4% restantes estão distribuídos entre investidores no mercado.
Como haverá emissão de novas ações, todos os acionistas tendem a sofrer diluição proporcional, caso não participem da oferta. Para evitar esse efeito, a companhia concedeu aos acionistas um direito de prioridade para subscrever novas ações na proporção de suas participações, mecanismo conhecido no mercado como exercício do “pro rata”. As ações que não forem subscritas pelos acionistas e pela EBP serão destinadas aos investidores profissionais.
Além da incorporação da participação em Jirau, a oferta também permitirá a entrada de recursos novos no caixa da companhia. Segundo o fato relevante do dia 6 de julho, descontado o valor correspondente ao ativo hidrelétrico, os recursos líquidos captados serão destinados ao fortalecimento e à otimização da estrutura de capital da Engie Brasil Energia.
A definição do preço por ação ocorrerá nesta terça-feira, ao fim do processo de “bookbuilding”. O cronograma da operação prevê o início da negociação das novas ações na B3 na quarta-feira (16) e a liquidação financeira na quinta-feira (17).
Procurada, a Engie não quis se manifestar por estar em período de silêncio.
