O influenciador digital Samuel Sant’Anna da Costa, conhecido como “Gato Preto”, voltou a ser preso no último domingo (12), em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em razão de um mandado de prisão civil decorrente de dívida de pensão alimentícia. É a terceira prisão do influenciador desde agosto de 2025, período em que ele se tornou réu em processo criminal e foi alvo de investigações policiais.
Válido lembrar que a prisão civil por dívida alimentar não é uma pena criminal: trata-se de medida coercitiva, prevista na Constituição, para forçar o devedor a quitar o débito. Assim, uma vez paga a dívida, Gato Preto poderá ser liberado, e a detenção não irá gerar antecedentes criminais.
A prisão mais recente ocorreu após policiais militares serem acionados, por volta das 5h, para atender a uma denúncia de desentendimento entre um casal. No local, os agentes constataram que não havia relação entre os abordados e a ocorrência inicialmente comunicada, mas, ao consultarem os sistemas policiais, verificaram a existência de um mandado de prisão civil em aberto contra Samuel Sant’Anna, expedido pela Comarca de São José dos Campos.
O influenciador foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Ribeirão Preto. Na audiência de custódia realizada no mesmo dia, a Justiça manteve a prisão por não identificar irregularidades no cumprimento do mandado.
À CNN, a defesa afirmou que a ordem judicial decorre de dívida de pensão alimentícia e informou que adota as providências cabíveis para regularizar os débitos.
A atual prisão, no entanto, não é um episódio isolado. Samuel Sant’Anna acumula, até o momento, três prisões apuradas pela CNN: a prisão em flagrante após o acidente com o Porsche — quando foi liberado no mesmo dia — e duas prisões civis por dívida de pensão alimentícia, em dezembro de 2025 e julho de 2026.
Agosto de 2025: prisão em flagrante após acidente com Porsche
A primeira prisão ocorreu em 20 de agosto de 2025, horas após um acidente na Avenida Brigadeiro Faria Lima, zona oeste de São Paulo.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Samuel dirigia um Porsche quando, após consumir bebidas alcoólicas e drogas em uma casa noturna, teria avançado um sinal vermelho em alta velocidade e atingido lateralmente outro veículo, ocupado por pai e filho. Ainda segundo o órgão, após a colisão, ele deixou de prestar socorro às vítimas, teria ameaçado um dos ocupantes do automóvel atingido e fugiu do local.
Horas depois, policiais militares localizaram o influenciador em seu apartamento, em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde, segundo a corporação, ele foi preso em flagrante. Conduzido ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, ele prestou depoimento e acabou liberado no mesmo dia.
Meses depois, o MPSP denunciou Samuel por duas tentativas de homicídio com dolo eventual — quando o autor não quer diretamente o resultado, mas assume o risco de produzi-lo —, além de ameaça e de crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB): omissão de socorro, fuga do local do acidente e direção sob efeito de álcool e drogas.
Para a Promotoria, o conjunto de circunstâncias — ingestão de álcool e drogas, alta velocidade e avanço do sinal vermelho — demonstra que o influenciador assumiu conscientemente o risco de provocar a morte das vítimas, fundamento da imputação por dolo eventual. Na denúncia, o Ministério Público também pediu a fixação de mais de R$ 260 mil em indenizações às vítimas e a suspensão cautelar da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do influenciador.
Em maio de 2026, a Justiça de São Paulo recebeu a denúncia e tornou Samuel réu. Na mesma decisão, determinou a venda antecipada do Porsche para garantir o pagamento de eventual indenização por danos morais e materiais.
A defesa, por sua vez, afirmou ter recebido a decisão com surpresa e sustenta que os fatos configuram lesão corporal culposa, sem intenção ou assunção do risco de matar. Os advogados pedem a desclassificação da acusação de tentativa de homicídio.
Dezembro de 2025: primeira prisão por pensão alimentícia
Pouco mais de três meses após o acidente, Gato Preto foi preso por força de um mandado de prisão civil relacionado ao não pagamento de pensão alimentícia.
Segundo a Polícia Militar, a captura ocorreu na zona leste de São Paulo, após um alerta emitido pelo sistema Muralha Paulista identificar que havia um mandado em aberto contra o influenciador, expedido pela 1ª Vara da Família e Sucessões de São José dos Campos. À época, a dívida era de R$ 57,4 mil.
Ele foi encaminhado ao 30º Distrito Policial, no Tatuapé, onde permaneceu à disposição da Justiça, e foi solto cerca de uma semana depois. Na ocasião, a CNN procurou a defesa, mas não obteve retorno.
Investigação por lavagem de dinheiro
Além do processo criminal relacionado ao acidente de trânsito e das prisões por pensão alimentícia, Gato Preto também figura entre os investigados em apurações sobre promoção de jogos de azar.
Em agosto de 2025, ele foi um dos alvos da Operação Desfortuna, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que investigou influenciadores suspeitos de divulgar ilegalmente plataformas conhecidas como “jogo do tigrinho”. Segundo a investigação, os envolvidos utilizavam as redes sociais para prometer ganhos fáceis e rápidos, além de apresentarem movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, com indícios de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Já em setembro de 2025, a Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do influenciador no âmbito de investigação por lavagem de dinheiro, ocasião em que celulares e um veículo Porsche foram apreendidos.
A prisão deste domingo (12), até então, é o caso mais recente envolvendo o influenciador.

