Últimas

Viés político contamina discussões sobre tarifaço dos EUA, diz especialista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Viés político contamina discussões sobre tarifaço dos EUA, diz especialista

O governo brasileiro aguarda a realização de uma última reunião com representantes dos Estados Unidos antes da decisão norte-americana sobre a possível imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil.

A decisão deve ser anunciada nesta quarta-feira (15).

Em entrevista à CNN Brasil, Josemar Franco, gerente de comércio internacional da BMJ, vê perspectivas políticas por trás da investigação conduzida pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) da “seção 301”.

“Apesar de nós termos uma investigação extremamente técnica, sendo encabeçada pelo USTR, a verdade é que o viés político está sendo sobreposto”, disse.

Ele acrescentou que empresas e entidades têm participado de consultas públicas, audiências e reuniões com a administração americana para apresentar seus pontos de sensibilidade.

“O esforço e a atuação do setor privado, tanto do Brasil como dos Estados Unidos, é definitivo para a imposição dessas tarifas ou não”, afirmou.

Segundo ele, a atual administração dos Estados Unidos é muito receptiva às demandas dos empresariado, especialmente o americano.

Impacto inflacionário nos EUA

Um dos argumentos centrais utilizados pelo setor privado é o risco de impacto inflacionário para o consumidor norte-americano. O gerente de comércio internacional da BMJ apontou que há setores em que o Brasil não pode ser substituído como fornecedor.

“O Brasil é o maior produtor mundial de café solúvel, é o maior exportador mundial, não tem quem substitua o café solúvel brasileiro”, afirmou.

“No final do dia, os norte-americanos continuarão importando esse produto, pagando mais caro, ou seja, pagando o custo dessa inflação”, completou Franco.

O especialista alertou ainda para o risco de uma combinação de tarifas que poderia chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros — somando a possível tarifa de 25% com uma alíquota adicional de 12,5% de outra investigação em curso nos Estados Unidos.

“Isso nos colocaria em um patamar de baixíssima competitividade em relação aos outros países exportadores para os Estados Unidos”, avaliou Franco. Setores como o moveleiro e o de papel foram citados entre os mais vulneráveis.

Franco também questionou a solidez das justificativas apresentadas pelo USTR para embasar a tarifa, que incluem temas como desmatamento ilegal e políticas de meios de pagamento, como o Pix.

Para ele, a argumentação é fraca do ponto de vista técnico e mistura questões distintas para tentar dar aparência de razoabilidade ao resultado da investigação.

“Infelizmente há uma preponderância do viés político de imposição dessas tarifas contra o Brasil para chegar em outros acordos que não necessariamente têm a ver com essas políticas públicas que estão sendo investigadas”, concluiu.

Quinta reunião entre os dois países

O encontro esperado pelo governo brasileiro seria o quinto entre representantes dos dois países e aconteceria no âmbito do grupo de trabalho criado após a visita de Lula a Donald Trump — grupo esse formado justamente para discutir tarifas e o comércio bilateral.

A intenção é alinhar uma agenda com Jameson Greer, chefe do USTR, o escritório do representante comercial dos Estados Unidos. Após o quarto encontro, Márcio Elias havia indicado à imprensa que a expectativa era de que o novo encontro ocorresse até o início desta semana.

Apesar das negociações em curso, o cenário considerado mais provável dentro do Palácio do Planalto é o da efetiva imposição das tarifas pelos Estados Unidos. Um possível adiamento não está descartado, mas é considerado hipótese remota.

De acordo com informações apuradas pela CNN Brasil, a estratégia do Palácio do Planalto é manter o mesmo caminho adotado até o momento, sem fazer concessões que o governo brasileiro considere injustificadas.

Na semana passada, Lula se reuniu com ministros para discutir os rumos das negociações. Entre os presentes estavam Mauro Vieira e Márcio Elias, este último responsável por conduzir principalmente as tratativas entre Brasil e Estados Unidos.

O que deve ficar mais barato com o acordo entre Mercosul-UE

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
Viés político contamina discussões sobre tarifaço dos EUA, diz especialista — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado