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Uma pessoa morre em confronto envolvendo agentes do ICE no Maine, nos EUA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Uma pessoa morre em confronto envolvendo agentes do ICE no Maine, nos EUA

Uma pessoa foi morta a tiros nesta segunda-feira (13) durante um confronto com agentes de imigração dos EUA no estado do Maine, afirmou um importante legislador estadual, poucos dias depois de um homem ter sido morto por um agente americano durante uma abordagem de trânsito no Texas.

“Esta manhã, ocorreu um tiroteio em Biddeford. Uma pessoa foi morta. O ICE estava envolvido”, escreveu no Facebook Ryan Fecteau, presidente democrata da Câmara dos Representantes do Maine e natural de Biddeford.

Os detalhes permaneciam incertos, e não foi possível contatar autoridades do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) e do Departamento de Segurança Interna para comentar o caso.

O FBI informou que respondeu imediatamente para prestar assistência no local do tiroteio, mas não forneceu informações adicionais. A polícia de Biddeford não quis comentar e encaminhou as perguntas ao ICE.

Defensores dos direitos dos imigrantes afirmaram que a pessoa baleada era um colombiano de 26 anos, autorizado a trabalhar nos EUA e portador de um número de Seguro Social, embora não tenham divulgado seu nome nem explicado como conseguiram identificá-lo.

“Isso é devastador, revoltante e inaceitável”, declararam em comunicado a Maine Immigrants’ Rights Coalition e a Presente! Maine.

“Seus entes queridos merecem respostas, e o público merece um relato completo e transparente do que aconteceu”, acrescentou.

O senador americano Angus King, um independente do Maine que atua em aliança com os democratas, disse a repórteres que havia conversado com o secretário de Segurança Interna e que a vítima era um homem na faixa dos 20 anos. King também afirmou que, aparentemente, os agentes não estavam usando câmeras corporais.

“O que eu disse ao secretário foi: queremos uma investigação completa, transparente e aberta sobre este assunto”, afirmou ele.

Uma testemunha ocular, Daniel Boucher, de 71 anos — cuidador e desenhista técnico em meio período que mora no centro de Biddeford —, disse em entrevista que estava no segundo andar de seu apartamento quando ouviu o que pareciam ser fogos de artifício, por volta das 7h30 da manhã.

Ele correu para a janela e viu um SUV branco colidir mais de uma vez contra um carro branco menor, forçando-o a mudar de direção. Nesse momento, relatou Boucher, viu um agente do ICE sair do SUV e tentar abrir a porta do outro carro antes de retirar um homem de dentro dele. O homem, que Boucher descreveu como alguém de aparência jovem, estava com sangue no rosto e na cabeça, e o policial o colocou no chão.

“Inicialmente, lembro-me de ouvir a vítima dizer: ‘Mas eu tentei parar'”, disse Boucher.

Um policial, que parecia ser o autor do disparo contra o homem, aparentava estar “muito transtornado, quase em estado de choque”, segundo Boucher, e afirmou que a vítima havia tentado atropelá-lo ou atingi-lo.

Por fim, disse Boucher, o homem ferido pareceu parar de respirar.

“Serei muito sincero com você: não apoio nem um pouco o ICE”, disse ele.

“E sou democrata. Mas, independentemente disso, o que estou lhe contando é o que presenciei hoje”, afirmou Boucher.

Alguns vídeos relacionados ao ocorrido também começaram a surgir na segunda-feira, incluindo um publicado nas redes sociais e verificado pela Reuters, que mostrava um carro branco circulando de forma aparentemente desordenada, enquanto dois homens de colete, a pé, tentavam pará-lo.

Fotos tiradas no local mostravam o carro com o que pareciam ser marcas de tiros no para-brisa, parado junto à lateral de um grande SUV branco com as luzes de emergência ligadas.

Onda de protestos

O ocorrido desencadeou protestos em Biddeford, uma cidade com mais de 21 mil habitantes situada a cerca de 24 quilômetros ao sul de Portland.

Cerca de 200 manifestantes reuniram-se em um parque, segurando cartazes e entoando palavras de ordem, antes de marcharem por cerca de 400 metros até o escritório em Biddeford da senadora republicana Susan Collins, que concorre à reeleição este ano.

Dez manifestantes entraram no saguão do prédio gritando “Fora ICE!” e “Tirem-na do cargo pelo voto!”, além de proferirem palavrões. Um representante do gabinete de Collins saiu e tentou conversar com alguns deles. Não houve prisões nem violência.

Há seis dias, um agente do ICE matou a tiros um homem identificado como Lorenzo Salgado Araujo em Houston, durante uma abordagem de trânsito, provocando protestos no bairro de East End, uma área da cidade com grande população hispânica.

Horas após o tiroteio, o ICE informou em comunicado que Salgado — um cidadão mexicano que vivia ilegalmente nos EUA há mais de três décadas — colidiu sua van contra uma viatura policial e tentou atropelar um agente, que disparou em legítima defesa.

A agência não apresentou provas que sustentassem essa versão. Em outros casos ocorridos no último ano, declarações iniciais de agências de fiscalização de imigração sobre o uso da força foram contraditas por imagens de vídeo ou outras evidências, por vezes em tribunais.

Três homens que testemunharam o tiroteio contestaram a versão do ICE, segundo informou um advogado de dois deles a jornalistas na sexta-feira (10). Salgado, pai de três filhos, trabalhava na construção civil e estava em processo de obtenção de uma autorização de trabalho, relataram familiares.

Os disparos ocorreram em meio a um aumento nacional nas prisões de imigrantes, parte da ofensiva federal do presidente Donald Trump contra migrantes — medida que tem gerado críticas de líderes democratas locais e protestos em diversas cidades.

A deputada democrata Chellie Pingree, que representa Biddeford no Congresso, declarou em um vídeo publicado no Facebook após o tiroteio que estava “profundamente perturbada e indignada”.

“Mais do que tudo, quero saber: por que vocês estão no Maine?”, questionou ela, referindo-se aos agentes de imigração.

Desde o início de junho, as prisões realizadas pelo ICE no Maine mais do que quadruplicaram, chegando a cerca de 70 por dia no início de julho, de acordo com dados internos da agência compartilhados com a Reuters por uma fonte.

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