A embarcação interceptada pela PF (Polícia Federal) e pela Marinha do Brasil durante uma operação em alto-mar chegou à Base Naval de Belém (PA), na manhã desta segunda-feira (13). No barco, foram encontradas mais de três toneladas (3.748 quilos) de cocaína pura, carga avaliada em aproximadamente R$ 500 milhões.
Na ação, quatro brasileiros foram presos em flagrante por tráfico internacional de drogas, associação e financiamento para o tráfico. A operação foi resultado de uma investigação iniciada em abril, com apoio de órgãos internacionais de inteligência.
Segundo a PF, as autoridades monitoravam uma embarcação pesqueira típica da costa paraense que teria como destino Guiné, na África, utilizando a chamada rota do Suriname, cada vez mais explorada por organizações criminosas para enviar drogas da Amazônia ao exterior.
O barco foi interceptado no última dia 7 de julho, aproximadamente na metade do trajeto, após percorrer cerca de 1.600 quilômetros. A ação foi realizada pelo Navio-Patrulha Bocaina, da Marinha, que permaneceu dez dias no mar em conjunto com equipes da Polícia Federal.
Durante a abordagem, os agentes encontraram mais de 100 fardos de droga. Além disso, testes preliminares confirmaram que o material era cocaína pura.
Na embarcação estavam apenas o comandante e outros três tripulantes, todos brasileiros, que, segundo a Marinha, colaboraram durante a abordagem. De acordo com a Marinha, o barco não possuía documentação e transportava vários tanques extras de diesel instalados, o que permitiria uma travessia de aproximadamente 10 a 15 dias até o continente africano.
A carga começou a passar por perícia e cada um dos pacotes será analisado individualmente para integrar o inquérito da Polícia Federal.
A partir desta terça-feira (14), será iniciado também o exame pericial da embarcação, que deve ajudar a esclarecer detalhes da viagem, da logística utilizada e da origem da carga.
Veja momento da apreensão
Segundo o superintendente regional da Polícia Federal, Alexandre de Andrade Silva, as investigações seguem para identificar quem financiou a operação e toda a cadeia criminosa responsável pelo carregamento.
As investigações apontam que a embarcação foi construída em um estaleiro do Pará e que os quatro presos também são naturais do estado. A Polícia Federal agora analisa celulares, documentos e outros materiais apreendidos para identificar os responsáveis pelo financiamento e pela organização da rota internacional do tráfico.
A ação contou contou com o apoio da DEA (Drug Enforcement Administration), agência antidrogas dos Estados Unidos, e da JIATF-South (Joint Interagency Task Force South), força-tarefa vinculada ao Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas (United States Southern Command).

