O Dia Nacional do Funk, celebrado neste domingo (12), faz um convite para que o público olhe as trajetórias de quem transformou o gênero em um dos maiores movimentos culturais do país.
Para Pocah, 31, que iniciou a trajetória em 2010, o funk sempre foi além das batidas: o ritmo mudou sua vida e a realidade de milhares de jovens periféricos.
A cantora, que ganhou força nacional com o hit “Mulher do Poder”, viu na música a chance de transformar os sonhos em profissão. Antes de conquistar o país ainda como MC Pocahontas, ela deu seus primeiros passos em um cenário que, apesar do forte apelo popular, sofria com o preconceito e a falta de valorização.
“Eu sou cria do funk. Sou cria de Caxias. Tudo o que vivi, tudo o que aprendi e tudo o que construí começou ali. O funk me deu voz, me deu oportunidades e mudou completamente a minha realidade. Quando olho para trás, vejo que a minha história se mistura com a história de muitas pessoas que encontraram na música uma chance de mudar de vida”, conta à CNN Brasil.
Ao longo dos anos, a artista acompanhou de perto a evolução do gênero, que transbordou dos bailes para dominar festivais, plataformas de streaming, campanhas publicitárias e o mercado internacional. Mais do que arte, ela enxerga o funk como uma engrenagem econômica poderosa e geradora de empregos. Ainda assim, pontua que a cena ainda precisa romper barreiras e estigmas antigos.
“Eu vivi o preconceito de perto. Muitas vezes tentaram diminuir o funk e quem fazia parte dele. Mas o tempo mostrou que a nossa cultura tem valor, identidade e potência. Hoje vemos o funk sendo ouvido no mundo inteiro, mas esse reconhecimento é resultado de muito trabalho de quem nunca desistiu de acreditar no movimento”, conta.
Pioneira na expansão da presença feminina no gênero, a artista faz questão de exaltar o papel das mulheres nessa construção histórica, celebrando a conquista de espaços antes negados.
“As mulheres sempre fizeram parte do funk, mas precisaram lutar muito para ocupar espaços de protagonismo. Hoje vejo uma cena muito mais diversa, com artistas escrevendo suas próprias histórias, comandando suas carreiras e mostrando que podemos falar sobre o que quisermos, sem deixar que ninguém dite quem devemos ser. Isso também é uma conquista do funk”, garante.
Essa conexão profunda com as origens ganha força no álbum “Cria de Caxias”. No projeto, Pocah resgata a identidade dos tempos de MC Pocahontas e reafirma o laço com suas raízes.
“‘Cria de Caxias’ é um projeto muito especial porque representa um reencontro comigo mesma. É revisitar minhas raízes, lembrar da menina que sonhava em viver da música e homenagear o lugar que me formou como artista e como mulher. Voltar para essa essência é também celebrar o funk e tudo o que ele representa na minha vida”, diz.
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