Últimas

Tarifaço: Negociação política não dá sinais de avanço, diz ex-OMC

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Tarifaço: Negociação política não dá sinais de avanço, diz ex-OMC

Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), avaliou que as negociações políticas entre Brasil e Estados Unidos não apresentam sinais de avanço diante da iminente aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Em entrevista ao CNN Money, ele afirmou que a pressão do setor empresarial é, neste momento, o único caminho viável para tentar reverter ou mitigar a medida.

O cenário se desenrola enquanto o governo brasileiro opta por esgotar os canais técnicos e diplomáticos antes de qualquer contato direto no plano político.

Azevêdo esteve recentemente em Washington para as audiências do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e não percebeu otimismo por parte das autoridades do governo norte-americano.

“As negociações entre os dois governos não parecem estar avançando. Tomara que eu esteja enganado e que as negociações levem a algum tipo de acordo, mas isso não parece estar no horizonte próximo”, declarou.

Diplomacia empresarial como alternativa

Uma lista com 335 empresas brasileiras, norte-americanas e entidades setoriais manifestou-se contra as tarifas.

Para Azevêdo, foi exatamente esse tipo de articulação — que ele denomina “diplomacia empresarial” — que resultou na ampliação da lista de exceções a determinados produtos e setores.

“Toda essa lista de exceção foi resultado de contatos entre as empresas brasileiras com as suas congêneres americanas, clientes e parceiros, para tentar sensibilizar o governo americano de que essas tarifas adicionais eram, francamente, um tiro no pé”, afirmou.

Ele expressou esperança moderada de que as audiências públicas realizadas durante a semana possam ampliar ainda mais essa lista.

Audiências públicas e o tom político

Azevêdo participou das audiências públicas e relatou que houve pouco esforço de contra-argumentação em relação aos temas elencados na investigação, como desmatamento ilegal, pirataria, o sistema de pagamentos Pix e o etanol.

Segundo ele, a percepção geral era a de que a decisão de aplicar as tarifas já estava tomada.

“As pessoas entendem um pouco o que é um jogo de carta marcada. Há uma decisão já do governo americano de adotar essas medidas”, disse.

O esforço das empresas presentes concentrou-se em demonstrar que a medida seria contraproducente para a própria economia norte-americana, com potencial de elevar custos de produção e até provocar demissões localizadas.

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) também participou das audiências, com uma apresentação de cunho marcadamente político.

De acordo com Azevêdo, ele se manifestou contra as tarifas e indicou que sua adoção não seria produtiva para nenhum dos lados, mas sem aprofundamento técnico.

“Fez um discurso mais de tom político mesmo”, avaliou Azevêdo, acrescentando que, independentemente da origem política de qualquer esforço, qualquer resultado que reduza o impacto das tarifas sobre a economia brasileira seria bem-vindo.

Postura do governo brasileiro nas audiências

Questionado sobre a ausência de uma participação oral ativa do governo brasileiro nas audiências, Azevêdo explicou que quem não se inscreveu previamente não tinha permissão para se manifestar.

Ele destacou, porém, que o governo brasileiro apresentou comentários escritos detalhados, rebatendo as alegações norte-americanas e explicitando os danos que as tarifas provocariam nas duas economias.

“A meu ver, foi um documento até bem feito”, opinou.

A decisão de não realizar apresentação oral foi caracterizada por ele como uma escolha política do governo brasileiro, cujos fundamentos ele disse não ter condições de avaliar.

No plano mais amplo, Azevêdo alertou que, embora as novas tarifas possam ter maior solidez jurídica no âmbito da legislação norte-americana, elas provavelmente violam as regras multilaterais da OMC.

No entanto, o sistema de solução de controvérsias da organização encontra-se paralisado, em razão do bloqueio norte-americano à designação de juízes para a corte de apelação.

Apesar disso, ele ressaltou que aproximadamente 80% do comércio internacional ainda é regido pelas normas da OMC e que não houve um contágio generalizado do comportamento norte-americano entre outros países.

Abertura comercial reduz impacto de tarifas de Trump no Brasil? Entenda

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
Tarifaço: Negociação política não dá sinais de avanço, diz ex-OMC — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado