Últimas

Setor da proteínas busca saída com governo para atender exigências da UE

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Setor da proteínas busca saída com governo para atender exigências da UE

Representantes da cadeia de proteínas animais se reuniram nesta quarta-feira (8), em Brasília, com integrantes do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) para discutir alternativas que permitam ao Brasil atender às novas exigências da União Europeia (UE) sobre o uso de antimicrobianos na produção animal sem comprometer a competitividade do setor.

O encontro foi realizado na sede da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e reuniu representantes da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), da CNA e do governo federal.

Participaram da reunião o presidente-executivo da Abiec, Roberto Perosa, o presidente do conselho diretivo da entidade, Renato Costa, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o diretor de relações institucionais da associação, Marcelo Osório, e o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, o encontro teve como principal objetivo atualizar as entidades sobre as medidas que vêm sendo conduzidas pelo governo e alinhar a atuação dos diferentes segmentos da cadeia diante do prazo estabelecido pela União Europeia e não teve caráter deliberativo nem resultou em novas medidas.

O objetivo foi reunir governo e representantes da cadeia para nivelar as informações e manter o diálogo sobre as alternativas em discussão antes da entrada em vigor das novas exigências europeias.

A avaliação é que uma estratégia coordenada entre poder público e iniciativa privada será fundamental para preservar o acesso ao mercado europeu.

A discussão ganhou força nas últimas semanas depois que a União Europeia confirmou que passará a exigir comprovação de que carnes e produtos de origem animal destinados ao bloco sejam provenientes de sistemas livres de determinados antimicrobianos proibidos pelos europeus.

Como mostrou a CNN, o Ministério da Agricultura afirmou que a adaptação às exigências europeias depende, em grande medida, da própria cadeia produtiva.

Em resposta enviada à Câmara dos Deputados, a pasta argumentou que os produtos questionados pela União Europeia continuam registrados e autorizados para uso no Brasil.

Por isso, caberia ao setor desenvolver mecanismos privados capazes de assegurar que os animais destinados às exportações para o bloco atendam aos requisitos exigidos pelos importadores.

Na avaliação do governo, o desafio não passa necessariamente pela proibição desses produtos em todo o território nacional, mas pela criação de sistemas de controle capazes de garantir a rastreabilidade e a segregação dos animais destinados ao mercado europeu.

Enquanto busca uma solução definitiva, o Mapa já determinou a adoção de medidas de controle para os animais que serão exportados à União Europeia, incluindo o acompanhamento de todo o ciclo produtivo e a separação desses rebanhos dos demais.

Nos bastidores, porém, ainda não há consenso sobre o melhor caminho. Parte da indústria defende regras que tragam maior segurança às exportações, enquanto representantes dos produtores alertam para os impactos que eventuais restrições ao uso dos antimicrobianos podem provocar na produtividade da pecuária brasileira.