A preocupação com a alta inflação cresceu na reunião do banco central dos EUA no mês passado, à medida que as autoridades seguiram a orientação do presidente do Fed (Federal Reserve), Kevin Warsh, para uma declaração de política monetária mais sucinta.
Isso ocorreu mesmo em meio a preocupações de que os aumentos de preços estivessem se generalizando e pudessem exigir aumentos nas taxas de juros.
Alguns participantes da reunião de 16 e 17 de junho viram motivos para aumentar as taxas imediatamente.
Mas o debate mais amplo parecia dividido de forma equilibrada, segundo a ata da sessão divulgada na quarta-feira (8), com “a maioria dos participantes” prevendo cenários em que a inflação cairia por conta própria em direção à meta de 2% do Fed, e “a maioria” também prevendo situações em que ela permaneceria alta.
“Quase todos” desse grupo consideraram um aumento das taxas necessário caso isso ocorresse.
“Os participantes avaliaram, de modo geral, que as informações recebidas no período entre as reuniões sugeriam que os riscos de alta para a estabilidade de preços permaneciam elevados, enquanto os riscos de queda para alcançar o pleno emprego haviam se moderado um pouco”, afirma a ata.
Por fim, “todos os participantes” apoiaram a manutenção das taxas inalteradas.
Considerando que a inflação está em cerca do dobro da meta do Fed, “os membros concordaram que o comunicado pós-reunião transmitiria o compromisso do Comitê (Federal de Mercado Aberto) com o cumprimento de seus objetivos de duplo mandato e enfatizaria que o Comitê garantirá a estabilidade de preços”, afirma a ata.
A reação do mercado foi moderada, com as ações praticamente inalteradas, os rendimentos dos títulos do Tesouro reduzindo ligeiramente os aumentos anteriores e os futuros de taxas de juros mantendo as apostas de que o Fed fará um aumento nas taxas até sua reunião de setembro.
O debate e a decisão sobre a política monetária constituíram apenas um aspecto da discussão na reunião de posse de Warsh como presidente do Fed.
Os formuladores de política também analisaram sua proposta de encerrar a “orientação prospectiva” e reduzir os comentários no comunicado sobre as próximas decisões de taxas.
“A maioria dos participantes observou que via vantagens em encurtar o comunicado”, afirma a ata, enquanto “a maioria dos participantes” apoiou a remoção da menção de que o próximo movimento do Fed provavelmente seria um corte nas taxas.
A alternativa aprovada pelo Fed em junho removeu completamente as orientações sobre as taxas, em consonância com o desejo geral de Warsh de evitar fazer promessas sobre decisões de taxas.
A ata também observou que Warsh descreveu seu plano de estabelecer cinco grupos de trabalho para examinar como a política monetária é conduzida, mas não indica qualquer discussão a respeito.
O Fed manteve sua taxa básica de juros inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% na reunião de junho, embora novas projeções tenham revelado um sentimento crescente de que provavelmente haverá um aumento nas taxas ainda este ano, com nove dos 18 membros do comitê prevendo taxas ligeiramente mais altas até o final de 2026.
A reunião contou com a presença dos dois novos assessores especiais de Warsh, Paul Winfree e Daniel Heil.
